6.8.21

TEMPO

 

O novo filme do diretor indiano M. Night Shyamalan, Tempo (Old), baseado na HQ "Castelo de Areia", merece ser visto como uma subcategoria dos filmes de terror, onde se enquadram as obras de Alfred Hitchcock. Como no caso do britânico, Shyamalan sempre usa inteligentemente o recurso do plot twist, além de fazer breves participações nas suas películas.

Merece elogio a ousadia de realizar um filme de terror à beira-mar em que as cenas se passam em um dia de sol e um mérito extra por transformar uma praia iluminada num ambiente claustrofóbico onde os personagens são oprimidos por uma enorme falésia por trás e o céu e mar infinitos acima e à frente, não conseguindo escapar dessa “caixa solar”. Curiosamente, a HQ que inspirou o filme teve como influência, a trama da película espanhola "O Anjo Exterminador", de Luis Buñuel, que se passa toda à noite numa mansão claustrofóbica.

Na história, hóspedes de um resort de luxo são levados a uma idílica praia isolada em que, aos poucos, cada um deles envelhece vários anos em poucos minutos. O elenco, aparentemente, foi escolhido para representar algum tipo de multiculturalismo: um mexicano (Gael Garcia Bernal), um negro, uma negra, um oriental, uma neozelandesa, duas australianas, uma luxemburguesa, um sueco, três crianças e uma velha. Norte-americanos são minoria.

Aplaudo a sempre criativa câmera do diretor que consegue, repetidamente, surpreender a plateia com tomadas inspiradas, com a câmera postada em pontos inusitados, o que deve enlouquecer o diretor de fotografia. Talvez por isso este seja o quarto filme seguido que o excelente diretor de fotografia Mike Gioulakis realiza com Shyamalan.

O uso inspirado do extracampo é outro ponto forte do diretor que retoma esse recurso quando retarda ao máximo a exibição de imagens que os expectadores aguardam ansiosos, enquanto mostra os diálogos da cena. Isso chega a ser angustiante, o que convenhamos, é a essência de um bom filme de terror.

Mas para não dizer que só falei de flores, foi irritante a repetição de cenas em que os atores se pegam, abraçam, agridem ou se matam....Praticamente todas as cenas em que os atores contracenam, eles estão se tocando. Também não ganha meu ouro o final que me pareceu muito amarradinho e que desceu redondo demais.

Gosto imensamente dos filmes Sexto Sentido, Sinais e A Vila, não tanto de Vidro e Corpo Fechado, e não sou fã de A Visita e Fragmentado (aliás, tenho muitas ressalvas, mas essa é outra história), então a filmografia de Shyamalan está ganhando medalha de prata na minha avaliação.

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