27.8.06

O Verdadeiro Inglês


Meu sonho sempre foi conhecer um inglês! Um inglês de verdade, daqueles ao qual o genial Nelson Rodrigues se referia. Nelson intitulava Antônio Callado: o único inglês verdadeiro. Mas após a morte de Callado eu já havia perdido as esperanças de conhecer um inglês de verdade. Passei a acreditar que eles só existem mesmo em ficção, nos livros de Agatha Christie e Graham Greene ou nas peças de Oscar Wilde ou nos filmes de James Ivory.
Pois não é que existe O Inglês Verdadeiro? Um lorde de carne e osso? Você não precisa procurá-lo em páginas de literatura cult ou no escuro dos cinemas de arte. Ele está em todos os jornais. Muitos ainda não sabem, mas Luis Inácio é, sim, o lorde perdido.
Luis Inácio é, provavelmente o filho ilegítimo de um barão bretão arruinado por intrigas palacianas com uma viscondessa celta exilada. Talvez até um príncipe herdeiro galês filho bastardo de uma condessa refém de alguma rainha malvada, deve ter sido seqüestrado por corsários e deixado incógnito, ainda criança, para ser criado no sertão de Pernambuco e acabou dando com os costados no ABC, o resto a gente sabe.
Mas o destino fez L.I. retomar suas raízes em busca do seu sangue azul aristocrático. E eu que me contentaria em ser atendido por um simples garçom inglês sou brindado com um Luis Inácio em carne e osso, ou melhor, barba e banha. É que sofri horrores nas mãos de garçons malignos, garçons demasiadamente baianos com sua baianidade exuberante, com sua desatenção indigesta, com sua incontinência interativa...o que eu não daria por um verdadeiro garçom inglês, discreto, confiável, eficiente e sobretudo fleumático...Agora tenho um presidente inglês!!!
Li há algum tempo, na Revista Época e em outros veículos de informação que Luis Inácio tem sido descrito pelas pessoas com quem viaja a bordo do seu brinquedinho de luxo, o Areolula, como um legítimo nobre inglês. Fontes importantes revelam que L.I. estaria desconectado da realidade, como um verdadeiro lorde deve ser. Dizem essa fontes que L.I não discute nenhum assunto sério, como um lorde real, envolto em eflúvios alcoólicos, ele só dá atenção aos que massageiam seu ego, só se interessa por quem está disposto a ouvir seus discursos e improvisos repletos de piadinhas, chistes, anedotas ou melhor, como convém a um lorde britânico de boa cepa: blagues e boutades.
A aristocracia petista do desconectado nobre Luis Inácio, ainda está em boas graças com o populacho, esse, sempre satisfeito com o pão mofado e o circo de pulgas da presidência, mas enfrenta ameaças de Revolta do Baixo Clero, ainda não da burguesia escorchada...os banqueiros que lucram com sua política de juros pegariam em armas para defender os lucros estratosféricos, esse, digamos, plus petista. Não há nada mesmo a temer enquanto tiver o Diário Oficial e a caneta nomeadora à mão. Não há CPI que resista às verbas e benesses do D.O. Dá-se, mesmo, ao luxo de abusar da gasolina para apagar incêndios por ele criados.
Sobre o risco da CPI dos Correios L.I. pediu a jornalistas: "Olha para a minha cara pra você ver se eu estou preocupado". Um verdadeiro lorde sabe instintivamente manobrar nos bastidores para evitar CPIs e riscos à sua nobreza enquanto esconde as preocupações no rosto —"tout va bien, madame la marquise" — Essa fleuma os nobres têm de berço. No caso de Luis Inácio, como o berço de Garanhuns não é dos melhores, tem-se a prova cabal de que o sangue não nega. A resposta está nos fleumáticos genes azuis.
É pela fleuma azul britânica que, enquanto a taxa de juros do país sobe pelo nono mês seguido que o nosso lorde maior dorme tranqüilo nos seus diversos travesseiros de algodão egípcio recentemente comprados com nossos impostos, como divulgou a sessão de compras do site da Presidência. L.I declara em entrevista coletiva que a política de juros altos não deve ser a única a ser usada...mas ele não tem outra. Isso não é lindo?
Deve ser com essa consciência limpa de lorde que L.I, apesar de o Brasil ser criticado mundo afora pelo desmatamento recorde da Amazônia (em um ano o país perdeu 26 mil km² de florestas, equivalente a 1 Alagoas) que ele enxuga-se em toalhas de cambraia com bordados feitos obrigatoriamente à mão e roupões também de algodão egípcio em tamanho extra-grande (tal exigências do bordado à mão e do king size também estão no site da Presidência).
Deve ser conferindo o extrato do mensalão e tomando licor de menta em uma das recentemente compradas 600 taças de cristal, como convém a um lorde inglês, que Luis Inácio comemora o fato de que somente agora no mês de junho o brasileiro começará realmente a ganhar dinheiro do seu salário, uma vez que até maio tudo que se ganhou foi para pagar impostos. E a Receita Federal bate repetidos recordes de arrecadação numa derrama arrecadatória furiosa que lembra o rei inglês João Sem Terra que espoliava seus súditos. Aguardem, a crer no passo do lorde Luis Sem Terra, a Receita Federal, que leva cinco meses do seu salário, entrará com soldados em sua casa para arrebanhar suas galinhas e seus patos e marrecos, como fazia o rei inglês. O príncipe de Garanhuns tem uma forte fome acumulada pelos anos na seca.
E havia quem pensava que o príncipe era FHC, mas que nobreza existe nessas três letras? L.I., sim, parece mais com um título. L.I não é 51 em romanos? Nosso nobre poderia ser chamado agora de L.I da Silva ou 51 da Silva. Tudo bem que lembra uma cachaça, mas agora que praticamente é um arquiduque, L.I. prefere mesmo o bom e envelhecido scotch escocês à caninha. Nada mais britânico. Não sabemos sobre o seu chá preferido, mas em breve veremos que é um legítimo chá inglês.
Logo mais, todos verão 51 da Silva, com paladar mais refinado pelos genes ingleses, preparando fish & chips e yorkshire puddings no lugar dos pesados churrascos do Torto. Gordura por gordura, nas três iguarias encontraremos muita banha de boi derretida. Algo que agrada a qualquer lorde que viva no país do “Fome Zero”. Alguém ainda lembra?

No comments: