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31.5.22

ÚLTIMAS LEITURAS

 

LIVROS LIDOS DE JANEIRO A MAIO DE 2022

Há 4 anos publico uma breve resenha dos livros lidos no ano. Para alguns deles, quando me animo, dedico resenhas maiores. Nos últimos quatro anos, minha média anual de leituras está em 56 livros. Foram 40 em 2018; 68 em 2019; 61 em 2020; e 55 em 2021.

Divido as postagens sempre em três blocos Aqui estão os 21 livros que li de Janeiro a Maio deste ano. Foram 8 em papel e 13 em e-book, hábito que pensei que jamais fosse me acostumar de tanto que adoro os livros físicos, mas a praticidade do digital me fez capitular.

1-O COLAR DA RAINHA – Primeiro livro que li de Alexandre Dumas. Uma intrincada história cheia de reviravoltas sobre uma ambiciosa criada da rainha francesa Maria Antonieta, fisicamente muito parecida com a patroa, que aproveita disso para participar de uma trama para minar a já fragilizada reputação da realeza. O livro é um romance histórico que trata das excentricidades da alta nobreza francesa e do declínio da monarquia naquele país mesclando história e ficção numa trama deliciosa e breve.



2 e 3- OS CAÇADORES DE DUNA e OS VERMES DE AREIA DE DUNA- Após os seis primeiros e excelentes livros da saga original de Duna, o filho do autor, Brian Herbert, escreveu novas histórias. Esses dois novos livros deram sequência à série. Aqui, núcleos separados irão se encontrar no último livro num final apoteótico, mas um tanto anticlimático. São muitos personagens que vamos reencontrar e também novos, muitas tramas impossíveis de acompanhar para quem não leu ao menos o último livro da hexalogia original. Foram publicados também livros cujas narrativas cronologicamente antecedem a saga original: desses eu já havia lido A Casa Atreides e A Casa Harkonnen, faltando o terceiro volume, A Casa Corrino.

4-O OUTONO DA IDADE MÉDIA- Publicado em 1919, este livro é considerado um dos mais importantes já escritos sobre a Idade Média. Escrito pelo historiador holandês Johan Huizinga, tem mais de 550 páginas com um texto deliciosamente fluido, apesar de tratar de um tema aparentemente complexo que é o período final da Idade Média, o autor, sabiamente, utilizou métodos e fontes que não eram usuais na época, aproximando-se do que tempos depois seria batizado de História das Mentalidades.  Aqui, a vida medieval é retratada cultura e artisticamente com seus profundos aspectos religiosos e políticos além dos seus modos cotidianos de lidar com a felicidade, os lutos, as guerras, os medos e os afetos. Já escrevi uma resenha completa sobre ele no blog.

5-O CREPÚSCULO E A AURORA- Este livro do autor britânico Ken Follett é o quarto volume da história que começa no monumental Os Pilares da Terra, continua com Mundo Sem Fim e segue com Coluna de Fogo, na chamada Saga Kingsbridge. Se nos três livros anteriores a história acontecia numa sequência temporal, aqui os fatos acontecem cronologicamente antes dos demais, perto do ano 1.000 na Inglaterra, com ataques de vikings e tramas que seguem o mesmo ritmo dos outros livros com personagens carismáticos sofrendo, enfrentando nobres poderosos, religiosos inescrupulosos e tramas cheias de traição e um tanto de final feliz. Vale muito a leitura das quatro obras, pois o autor é mestre nas reconstituições históricas.

6-ASCENSÃOEste foi o 36º livro de Stephen King que li (abaixo, os outros três que completam os 38 dele que li). Uma história que lembra a do seu livro A Maldição do Cigano. Aqui temos um homem que de repente começa a perder muito peso, mas sem alterar sua aparência. Um livro curto (apenas 144 páginas) para os padrões verborrágicos do autor e não se trata de um livro de terror como alguns dos mais conhecidos de King. Quem dera o autor conseguisse ser objetivo e retirar tanta gordura desnecessária de outros filmes como fez nesse ótimo livro Ascensão.

7-LOVE A HISTÓRIA DE LISEY Aqui King nos empurra 680 desnecessárias páginas (podia ter cortado metade) de uma história de amor entremeada de um tipo de viagem por psicotrópico. Temos aqui um escritor dominado pelos seus demônios e cujo amor da esposa é um tipo de salvação. Após ler o livro, assisti à série da Apple TV com Julianne Moore e Clive Owen com cenas violentíssimas e chega a ser mais “doida” do que o livro. Os vilões, o psicopata Dooley e o fantasmagórico Rapaz Espichado não são assustadores ou carismáticos suficientes para carregar o antagonismo da história. Lembrando tantos personagens assustadores já criados por King, o mestre aqui ficou devendo. Dois vilões que não valem meio.

 

8-SACO DE OSSOS O pior livro de Stephen King que já li, com suas infinitas 568 páginas, que mereciam uma machadada ao meio. Vi o filme homônimo e achei tão fraco quanto, com a vantagem de ter eliminado a gordura desnecessária. Outro livro sobre um escritor que aqui sofre de bloqueio criativo após a morte da esposa. Ainda em luto, ele resolve voltar à casa de veraneio à beira de um lago para se inspirar (no filme ele segue para a casa do lago pouco tempo após a morte da mulher, mas no livro King o arrasta por mais de cem páginas até decidir leva-lo à tal casa) onde ele vai se envolver numa história de custódia de criança e atormentados fantasmas do passado. 

 

9-STEPHEN KING VAI AO CINEMA- Livro que reúne cinco contos já publicados em outros livros de King com comentários novos do autor sobre cada conto e suas adaptações cinematográficas. Dos cinco contos eu já havia lido dois (Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank e As Crianças do Milharal) então valeu muito a leitura dos outros três (1408; A Máquina de Passar Roupas e Low Men in Yellow Coats), o último deles ainda não publicado no Brasil já que pertence ao livro Hearts in Atlantis e que traz personagens do multiverso de King com muitas referências à excelente série A Torre Negra. Recomendo muito aos fãs do autor.

10- FRANKENSTEIN – De tanto que essa história está presente no nosso imaginário, fico até surpreso de somente este ano, aos 58, eu ter lido esse clássico da inglesa Mary Shelley. Com o subtítulo de O Prometeu Moderno, conta a conhecida história do médico de Victor Frankenstein que conseguiu dar vida a um ser morto e assustador. A partir do “nascimento” então, criador e criatura vivem num jogo de perseguição repleto de horror. É o primeiro livro de ficção científica da literatura mundial a se tornar um clássico do terror e é importante lembrar que se trata de uma obra escrita por uma mulher, e no começo dos anos 1800, o que não é pouca coisa.

11-AS SOMBRAS DO MAL - AS FITAS DE BLACKWOOD-  Primeiro livro que li da dupla Guillermo del Toro e Chuck Hogan, apesar de já ter comprado há tempos e ainda não ter lido seus três primeiros livros: Noturno, A Queda e Noite Eterna. Aqui temos o trabalho conjunto de uma agente do FBI com o enigmático Hugo Blackwoood. A agente testemunha um crime brutal e inexplicável e começa a questionar sua própria sanidade. Ela encontra fitas antigas que a levarão até um fascinante homem que é a chave para desvendar o que aconteceu com o seu parceiro e ainda defender a humanidade de uma ameaça sem rosto: os incorpóreos, espíritos que se alimentam de emoções e que só buscam o êxtase da morte e do caos. Excelente.

12-A CASA SOTURNA- De Charles Dickens. Foi o primeiro livro de Dickens que li e escrevi no blog uma resenha inteira. Em suas 800 páginas, o autor discorre sobre temas sempre presentes nos seus livros, como o sofrimento das crianças pobres nas ruas inglesas. Infelizmente o livro, que estava esgotado há anos, foi relançado com graves problemas na tradução e erros de revisão. Descuido pela tradução de termos de uso lusitano no lugar de brasileiros, como “quinta”, para terreno; “miúdo”, para criança; “gira”, para maluco e “algibeira”, para bolso. Dickens tece críticas ácidas ao Judiciário por meio do motor da história: um processo que se arrasta por gerações sem jamais chegar perto de uma solução.

13-MANSFIELD PARK– Segundo livro que li da inglesa Jane Austen (após A Abadia de Nothanger) Com 608 páginas, acompanhamos a inesperada heroína Fanny Price, que não é uma protagonista óbvia já que não é vigorosa, aventureira ou audaz mas sim uma moça frágil, insegura tímida que deixa a casa dos pais pobres para morar com os tios ricos onde convive com parentes muito diferentes e complicados. Este é o romance da maturidade de Jane Austen e contido em comparação aos seus livros anteriores Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade (que ainda não li). A excelente edição da ‎ Penguin-Companhia das Letras traz ainda textos adicionais de análises de críticos e notas explicativas sobre a obra, a autora e o contexto histórico.


14, 15 e 16-FUNDAÇÃO, FUNDAÇÃO E IMPÉRIO e SEGUNDA FUNDAÇÃO – Escrevi no blog uma resenha completa sobre esses três livros de Isaac Asimov, de quem só havia lido dois livros (Eu Robô e O Homem Bicentenário). Há mais quatro livros que completam a saga mas ainda não os li. Confesso a minha decepção com a leitura pois a saga carece de fôlego narrativo, pois no fundo são contos encadeados para virarem livros, e nem são livros grandes. Nenhum dos três tem mais de 230 páginas cada, com personagens importantes desaparecendo em pouco tempo com os saltos temporais. A primeira temporada da série da Apple TV, adaptação da saga tem inegável riqueza da superprodução mas não segue fielmente a trama dos livros, sendo uma história dos vácuos deixados pelos originais. Achei até melhor do que o original, o que é raro de acontecer.

 

17-O LIVRO DO DESASSOSSEGO O livro considerado a obra máxima de Fernando Pessoa. Assinado pelo semi-heterônimo Bernardo Soares. Um livro clássico para ser lido, relido com calma, como verdadeira obra de consulta e referência. Uma obra existencialista, repleta de reflexões e questões filosóficas que merecem ser degustadas com paciência e sem pressa pelos leitores. O meu exemplar praticamente não tinha mais espaço para marcações. É tudo perfeito. Não sei como alguém pode ser tão genial como Fernando Pessoa na literatura. Tudo é perfeito. Ainda irei reler o livro muitas vezes, eu sei.

18-SANGUE NA NEVE Há mais de um ano não lia outro livro de um dos meus escritores favoritos, o autor norueguês Jo Nesbo, de quem já havia devorado nove obras. Neste romance não temos o protagonista de vários dos livros do autor, o atormentado policial Harry Hole, mas, temos outro atormentado, Olav, cujo único talento é matar. Mas, apesar de ser um exímio matador de aluguel, Olav tem uma natureza sensível e seu último trabalho será matar a esposa do chefão das drogas de Oslo que estaria traindo o marido. Com elementos noir, Olav se apaixona pela mulher do chefe e decide que pela primeira vez não vai cumprir um trabalho, erro que lhe cobrará um preço emocional e psicologicamente altíssimo. Nesbo sempre afiado como uma navalha.

19-SERIAL KILLERS - ANATOMIA DO MAL- Livro de 480 páginas do estudioso Harold Schrechter, anunciado como: “O dossiê definitivo sobre assassinos em série”, tem uma edição em capa dura ilustrada da editora Dark Side. Infelizmente, a versão digital que li não corresponde exatamente ao original devido aos erros de tradução e falhas primárias como traduzir o grupo The Police como “Polícia” ou a canção Psycho-Killer do Talking Heads como Psico-assassino. Apesar disso, é uma leitura interessante que relaciona psicopatas em série da história que inspiraram filmes, livros e canções como Norman Bates (Psicose), Hannibal Lecter (O Silêncio dos Inocentes), Jack, o Estripador e inúmeros outros com estatísticas intrigantes: 76% dos serial-killers são dos EUA onde 84% são brancos, 90% são homens e 65% das vítimas são mulheres.

 

20-ELIZABETH I- UMA BIOGRAFIA-Escrito pela jornalista inglesa Lisa Hilton e com 416 páginas é anunciado como um retrato definitivo da Rainha Virgem. Filha de Henrique VIII e Ana Bolena, Elizabeth reinou por 45 anos e foi considerada uma das maiores governante da história da Inglaterra. O livro mostra que o país sob seu comando se tornou a grande potência política, econômica e cultural do Ocidente e recria não apenas o cenário da era elizabetana, mas a complexidade da personalidade da rainha que a vida toda lutou contra os fantasmas da decapitação da mãe por ordem do pai, a permanente suspeita de bastardia e o "fantasma" de Maria Stuart, prima e rainha que mandou decapitar.

21-GUIA DE LEITURA: 100 AUTORES QUE VOCE PRECISA LER- Coleção de breves resenhas de diversos autores, sob a organização de Léa Messina, guia que apresenta, de modo sucinto, cem escritores que se destacam no ramo da ficção e que, através dos séculos, deixaram sua marca na imaginação humana. Traz ensaios de críticos literários, jornalistas, escritores e professores apaixonados pela leitura. A lista tem autores de todo o mundo, atuais e da antiguidade. Valioso como obra de referência. Dos 100 listados, já havia lido mais da metade, outros estavam esperando na minha estante para serem lidos. Agora, tenho como meta, incluir na minha lista de leituras obras de outros autores deste guia. Alguns deles, confesso, ainda não conhecia.


4.11.19

Livros de Junho a Setembro


Aqui estão os  17 livros lidos neste ano de Junho a Setembro

Este ano foram lidos 27 livros de Janeiro a Maio, lista já publicada aqui no blog

E 17 livros de Junho a Setembro totalizando 44 nos 9 primeiros meses deste ano.

Já bati a marca do ano passado quando li 40 livros em todo ano de 2018.

Quero agora bater os 52, o que me dará um média de 1 livro por semana no ano. 

Os últimos estão na ordem em que aparecem na ilustração acima e na lista abaixo

A FERA NA SELVA- Considerada uma das melhores obras de Henry James, conta a história de um casal de amigos que atravessam todo o livro, durante anos, debatendo uma questão apenas: a expectativa dele de que alguma coisa extraordinária iria lhe acontecer. As últimas linhas são tidas como um dos finais mais impactantes da literatura.

DOM QUIXOTE – A obra mais importante da literatura espanhola, eleita a melhor obra de ficção de todos os tempos, por anos esteve na minha estante esperando uma chance. Finalmente nos encontramos pelas suas quase 1.300 páginas escritas há 414 anos. Viajar com o Cavaleiro da Triste Figura pela Espanha, acompanhado do escudeiro Sancho Pança, enfrentando moinhos de vento em busca de aventuras é um verdadeiro privilégio.

WILD CARDS-VOLUME 2- Contos de ficção organizada por George R. R. Martin dando continuidade aos personagens da série iniciada no volume anterior quando um vírus contamina parte da população dotando alguns dos sobreviventes com poderes especiais ou defeitos físicos horrendos.

SÓ GAROTOS – Primeiro livro de memórias da cantora punk Patti Smith sobre seu relacionamento com Robert Mapplethorpe. Foi o livro de nãoficção vencedor do National Book Award em 2010.

DUNA - A CASA HARKONNEN –Segundo volume da série “Prelúdios de Duna”, ambientado no universo criado por Frank Herbert em seis volumes. Após a morte de Frank, seu filho Brian deu continuidade à história com as séries Prelúdios e Legends (mais 6 volumes). Neste livro acompanhamos a evolução da doença do barão Harkonnen, explicada no livro anterior, “A Casa Atreides”, além das maldades de Rabban, “a besta”, e o desenvolvimento de importantes personagens. O terceiro livro, “A Casa Corrino”, ainda não foi traduzido para o Português.

A DAMA DO CACHORRINHO- Conto de 1899 e dos mais conhecidos de Anton Thekhov, narra a história de um adultério entre um banqueiro russo e uma jovem que ele conhece durante as férias no litoral. Em uma carta para Thekhov, o escritor Maximo Górki escreveu: “A sua dama causou-me tamanha impressão que, apenas a conheci, quis trair minha mulher, sofrer, brigar etc.”

GENTE POBRE – O primeiro romance Dostoiévski, publicado de modo epistolar quando ele tinha 25 anos, gerou frisson nos círculos literários da época pela sua abordagem de acordo com a “escola natural”, corrente do realismo russo. O livro conta a história de um funcionário público de baixo escalão e uma jovem órfã. Por meio das suas cartas, percebe-se a pobreza material dos personagens em contraste com a nobreza dos sentimentos.

MAPPLETHORPE – Após ler Só Garotos, quis me aprofundar na vida do fotógrafo Robert Mapplethorpe. Nessa biografia, a autora Patricia Morrissoe nos envolve na vida de um dos mais controvertidos artistas contemporâneos, que por quase 30 anos fotografou personalidades. Famoso e rico devido às fotografias com temática explicitamente sexual e sua obsessão pelo submundo de Nova York, o artista contraiu o vírus da AIDS, morrendo em 1989, aos 42 anos.

A PIRÂMIDE – Livro do albanês Ismail Kadaré que narra a saga da construção da imensa pirâmide de Quéops. Uma metáfora do paradoxo simbólico da pirâmide que representa o poder absoluto do faraó e também seu túmulo. A construção esmaga os que carregam suas pedras gigantes e obriga os construtores ao segredo sobre a construção. Terceiro livro de Kadaré que li após Abril Despedaçado e Dossiê H. O autor foi nomeado várias vezes para o Nobel da Literatura e recebeu os prêmios Man Booker e Príncipe de Astúrias.

CARRIE, A ESTRANHA – O primeiro livro publicado por Stephen King em 1974 e que já teve três adaptações para o cinema. Quem só conhece a versão das telas vai se surpreender com a narrativa do livro que usa de modo fictício documentos, trechos de livros e notícias de jornais para dar verossimilhança a história da adolescente Carietta e sua mãe fanática religiosa. Carrie, como vários personagens de King, sofre o diabo antes de protagonizar uma carnificina.

NOSFERATU – Se Stephen King é o rei das histórias de terror adaptadas para as telas, seu filho Jo Hill segue o mesmo caminho. Autor de mais de 10 obras de ficção, este livro também virou uma série de TV. Jo Hill  segue sabiamente os passos do pai e constrói também um universo alternativo próprio de terror nos moldes dos de King.

A ESTRELA DE LANCASTER – Este é o 11º volume da série de Jean Plaidy A Saga dos Plantagenetas e neste livro acompanhamos a chegada ao poder do rei, Henrique V, herói conquistador da batalha de Agincourt que deixou a França de joelhos.

CORIOLANO – Tragédia de William Shakespeare escrita em 1608 conta a história do general romano Caio Márcio que derrotou a cidade de Corioli, mas se tornou odiado entre os próprios romanos. Banido pelo seu povo, ele se refugiou justamente entre os inimigos quando, vítima do ressentimento e pelo desejo de vingança, sitiou Roma, mas foi morto pela multidão. Há uma excelente versão para o cinema com o ator Ralph Fiennes no papel título e no elenco Gerard Butler e Vanessa Redgrave.

A REPÚBLICA – Uma das obras máximas da filosofia. Temos aqui um dos famosos diálogos socráticos que tentam reproduzir as conversas de Sócrates com seus discípulos. Sócrates não deixou nenhum trabalho escrito e as obras de Platão são os únicos elementos de acesso ao método socrático. O livro foi escrito cerca de 350 anos antes de Cristo e é uma exuberância filosófica. Não foi uma leitura fácil.

O HOMEM QUE AMAVA OS CACHORROS - O comentário sobre este livro está em um post específico sobre ele neste blog.

A CASA DA DOR – Mais um livro policial do ótimo autor norueguês Jo Nesbo com o detetive alcoólatra Harry Hole. É o 7º livro de Nesbo que leio. É uma sequência de Garganta Vermelha e precede A Estrela do Diabo. Aqui o detetive investiga um assalto a banco em Oslo enquanto luta contra o alcoolismo e o assassinato de uma ex-namorada. Harry Hole como sempre está na beira do fundo do poço.

O TALISMÃ- Calhamaço de quase mil páginas escrito por Stephen King e Peter Straub que acompanha a aventura de um garoto de 12 anos em uma jornada assustadora em busca de um talismã que irá salvar a vida de sua mãe. Ele atravessa os Estados Unidos e enfrenta inúmeros riscos de vida, perseguido por um dos maiores vilões criados de King. Não bastasse isso, ele tem que “saltar” entre dois universos, um deles uma região mítica conhecida como os Territórios, habitado por "Duplos", de pessoas da Terra.



7.6.19

Livros de Janeiro a Maio

Aqui estão os 27 livros lidos neste ano de Janeiro a Maio
Estão na ordem em que aparecem na ilustração acima e na lista abaixo

FOGO E SANGUE – De George R.R. Martin, autor das Crônicas de Gelo e Fogo. Séculos antes das histórias de Game of Thrones, quando a Casa Targaryen, formada por senhores de dragões, assume Pedra do Dragão em Westeros

OBJETOS CORTANTES  – Primeiro livro de Gillian Flynn, adaptado pela HBO.  Da mesma autora de Garota Exemplar, adaptado para o cinema

JERUSALÉM, A BIOGRAFIA – Obra de Simon Sebag Montefiore com mais de 900 páginas. O mesmo autor dos Romanov, que li ano passado.

O ALEPH O primeiro livro do argentino Jorge Luis Borges que li. Há tempos me devia essa experiência. Contos que justificam o adjetivo “borgiano”.

ALMAS MORTAS – Obra prima do russo Nikolai Gogol, que destruiu a segunda parte da obra antes de morrer. Li após saber, em Jerusalém, a Biografia, que o surto de Gogol se deu durante sua visita a Jerusalém.

SUBMISSÃO – O primeiro livro que li do polêmico francês Michel Houellebecq. Uma distopia em que um muçulmano é eleito presidente da França instituindo teocracia, poligamia e patriarcado. O livro desperta paixões da direita e da esquerda, o que significa que vale à pena ser lido.

UM AMOR INCÔMODO – O quinto livro que li da italiana Elena Ferrante, após sua Tetralogia Napolitana. Narra o retorno de Delia, aos 45 anos, à sua cidade natal, Nápoles, para enterrar a mãe achada morta numa praia e que levam a filha a reviver emoções de um passado que julgava enterrado.

WILD CARDS 1 - Coleção de contos de ficção organizada por George R. R. Martin, de Game of Thrones. Primeiro volume de uma série de 22 livros e conta as histórias dos principais personagens da série a partir da disseminação de um vírus que contamina parte da população, matando inúmeras pessoas e dotando parte dos sobreviventes com poderes especiais.

GAROTA EXEMPLAR – Após ter lido Objetos Cortantes de Gillian Flynn e ter visto a adaptação deste livro para o cinema, com Ben Afflec e Rosamund Pike, resolvi ler a obra que gerou o filme. Excelente, mas é uma pena que eu já sabia o final. Mesmo assim foi uma boa experiência. Se já era fã da autora, fiquei mais ainda.

AS CRÔNICAS MARCIANAS – Livro de contos de ficção científica publicado na década de 1950. Segundo livro que li do americano Ray Bradbury, após Farenheit 451, que já adaptado para o cinema duas vezes. Todos os contos giram em torno da colonização de Marte por humanos. Distopia, mais uma vez.

OS PRELÚDIOS DE DUNA - A CASA ATREIDES – Após seis livros fabulosos de Frank Herbert,  foram publicados pelo seu filho Brian Herbert vários outros depois da morte do autor dos originais. Aqui temos o primeiro da nova série narrando acontecimentos anteriores aos de Duna, O Messias de Duna, Os Filhos de Duna, O Imperador-Deus de Duna, Os Hereges de Duna e As Herdeiras de Duna.

A FILHA DO CAPITÃO – Primeiro livro que li de Aleksandr Pushkin, considerado fundador da novela russa e que influenciou autores como Gogol e Turgeniev. Foi a partir de um argumento seu que Gogol escreveu Almas Mortas. Aqui, a história de amor na Rússia do fim do século 18 com pano de fundo na história real da revolta de Yemelyan Pugachev, que alegava ser o falecido czar Pedro III.

DIÁRIO DE UM LOUCO – Uma novela curta de Nicolai Gogol. Literalmente o diário de um funcionário público atormentado que vai aos poucos enlouquecendo até ser internado num hospício.

A BRIGA DOS DOIS IVANS- Depois de ler O Capote, Almas Mortas e Diário de um Louco, fui adiante na obra de Gogol e me deliciei com uma novela que narra a disputa de dois cidadãos de uma vila da Ucrânia, no início do século 19. Depois de anos de amizade eles mantêm uma longa disputa. História leve e cínica sobre a condição humana.

A SEDE – O 5º livro que li do autor norueguês Jo Nesbo. Aqui, temos um assassino à solta e que tem como característica beber o sangue das suas vítimas, sempre mulheres. O detetive ícone de Nesbo, Harry Hole, terá que enfrentar o único assassino que lhe escapou.

A ESTEPE – Mais uma novela russa. Aqui o autor Anton Tchékhov conta a viagem de um menino para estudar em outra cidade e assim percorre por alguns dias a vastidão da estepe russa. Por meio da história acompanhamos não apenas um retrato da natureza, mas também dos diversos tipos humanos russos, suas atividades econômicas e seus relacionamentos sociais e pessoais.

ASIÁTICOS PODRES DE RICOS – Best seller do cingapuriano Kevin Kwan, adaptado com sucesso estrondoso para o cinema. Achei bem água com açúcar o romance de uma moça chinesa com um herdeiro multimilionário de Cingapura que serve para o autor desfiar uma infinidade grifes. Quem gosta de romances bobos e grifes famosas vai fazer a festa.

DRIVE – A História de um dublê de filmes (não sabemos seu nome) que faz bicos como motorista de fugas de assaltos. Escrito pelo americano James Salis e adaptado para o cinema com o ator Ryan Gosling no papel do motorista

UM CORAÇÃO SINGELO – Escrito pelo francês Gustave Flaubert, famoso por Madame Bovary, temos a história de Felicidade, uma mulher ingênua que se vê ligada pelo destino à sua patroa de quem é separada por um abismo social. O livro narra uma vida de infinita dedicação e vocação para cuidar do próximo.

DUAS NARRATIVAS FANTÁSTICAS – Depois de Os Irmãos Karamazov, Crime e Castigo e a Senhoria, li este volume composto das novelas: “A Dócil” e “O Sonho de um Homem Ridículo”. A primeira descreve o drama de um homem  desesperado que, diante do cadáver da mulher, busca entender o que a levou ao suicídio. A segunda novela é a história de um homem que começa vagando por São Petersburgo e refletindo que sempre foi uma pessoa ridícula, o que o leva à ideia de suicídio.

RICARDO E VANIA – Livro do jornalista brasileiro Chico Felitti escrito a partir de uma reportagem sobre Ricardo (o “Fofão da Rua Augusta”), o que levou o autor à descoberta de “Vânia”, travesti radicada em Paris e ex-namorada de Ricardo. O livro recupera a trajetória tortuosa de um casal simbólico do underground paulistano dos anos 70 e 80.

GARGANTA VERMELHA – Mais um livro policial do norueguês Jo Nesbo com o inspetor Harry Hole. Aqui o autor alterna seus cenários entre passado e presente, dos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, nas trincheiras de Leningrado, a uma Oslo atual quando Harry Hole investiga uma rede de tráfico de armas  relacionada a um grupo de antigos e novos nazistas.

ÉDIPO CLAUDICANTE – Sempre fui tarado por Mitologia Grega e este ensaio do brasileiro Antonio Farjani analisa com profundidade as razões da existência de tantos heróis feridos nos pés na Mitologia e o destino trágico do herói como metáfora para a iluminação espiritual.

NAPOLEÃO, UMA BIOGRAFIA LITERÁRIA – Uma obra excepcional do autor francês Alexandre Dumas, de quem eu nunca tinha lido nada. O livro que acompanha Napoleão Bonaparte desde sua terra natal na Córsega até a consagração como imperador francês, passando pelas batalhas vitoriosas até o fiasco na Rússia, os dois exílios e a definitiva e dramática batalha de Waterloo.

NIETOCKA NIEZVANOVA – Quinta obra que li de Dostoievski e que conta a história de uma moça, filha de uma família paupérrima que após a morte dos pais é adotada por uma família riquíssima desenvolvendo uma paixão pela filha dos tutores. Para uma obra de 1850 é interessante ver as descrições de amor físico entre duas jovens.

A FILHA PERDIDA – Sexto livro que li de Elena Ferrante. Aqui ela tem como foco os conflitos internos de uma professora universitária de meia-idade, aliviada após as filhas crescidas se mudaram com o pai. Em férias no litoral da Itália, a personagem reflete sobre a ambivalência do amor maternal e suas consequências emocionais.

A IDADE MÉDIA E O DINHEIRO – Jacques Le Goff foi um historiador francês especialista em Idade Média que renovou o gênero biográfico, levando o leitor a crer ser realmente possível conhecer um personagem medieval. Esse livro é considerado o melhor estudo sobre o papel do dinheiro na Idade Média.