30.9.26

25 LIVROS LIDOS DE JUNHO A SETEMBRO DE 2026


Dando continuidade à divulgação da lista dos livros lidos no ano, o que faço há 8 anos seguidos, publico breves resenhas das histórias com divisão das postagens em três blocos a cada ano.

Aqui estão os 25 lidos de Junho a Setembro deste ano. De Janeiro a Maio haviam sido 20 como já publicado aqui totalizando neste ano 45 livros.

De Junho a Setembro foram livros de 23 autores homens e de 3 autoras mulheres; 4 livros brasileiros e 21 estrangeiros; 12 livros físicos e 13 digitais.

Eis a lista abaixo:

1-O CASAMENTO DA EMPREGADA – De Freida McFadden. Depois de ler os três livros anteriores da autora sobre sua anti-heroína Millie, esse conto de 95 páginas me acendeu a curiosidade para saber a história do que aconteceu com ela no intervalo entre O Segredo da Empregada e A Empregada Está de Olho, segundo e terceiro livros da série, mas esta publicação não passa de um caça-níqueis sem nenhum mistério digno e o plot twist é fraquíssimo. Não sei se lerei novos livros da autora, que parece uma fábrica de escrever, tamanha a quantidade de títulos seus na livrarias.

2- O SEGREDO FINAL – De Dan Brown. Esse é o mais recente livro do autor tendo como personagem principal o simbologista Robert Langdon. Dessa série, li outros quatro: Anjos e Demônios, O Código Da Vinci, Inferno e Origem, mas como o autor usa uma fórmula para escrever suas histórias, mesmo sendo bastante eficientes e envolventes, não sei se vou continuar lendo novos livros dele. Aqui o autor nos leva a Praga com deliciosos detalhes da sua arquitetura e história com o professor Langdon novamente envolvido com uma mulher e em meio a perigosos cientistas e criminosos. Uma correria sem fim com mortes sem parar que é como acontece em todas as suas obras.

3-QUO VADIS – ROMANCE DO TEMPO DE NERO – De Henryk Sienkiewicz. Primeiro livro que li do autor polonês premiado com o Nobel de Literatura em 1905. Adaptado com sucesso para o cinema, conta uma história de amor impossível entre o jovem patrício Vinício e Lígia, uma refém cristã filha de um rei suevo.  Vinício é sobrinho de Petrônio, um dos favoritos de Nero e autor do famoso livro Satiricom. Quo Vadis narra os eventos mais importantes da época de Nero, inclusive o célebre incêndio que destruiu Roma e o massacre dos cristãos, incluindo os apóstolos Pedro e Paulo, personagens da obra, que ainda brinda o leitor com breve biografia dos personagens e glossário de termos históricos.

4-CASEI COM UM COMUNISTA – De Philip Roth. Sexto livro que li do autor e que sempre me surpreende com sua leitura potente. Aqui estamos em plena época do macarthismo nos EUA, quando o país passou por repressões e perseguições políticas aos artistas e pessoas comuns consideradas comunistas. O livro é narrado por Nathan Zuckerman, espécie de alter ego do autor presente em outras das suas obras. Aqui, ele conta a história do seu amigo Ira, militante comunista e astro do rádio, que se casa com uma atriz decadente completamente dominada pela insuportável filha Sylphid, uma das personagens mais desagradáveis sobre quem que já li.  O conflito entre mãe e filha gera a separação do casal e uma maré de vingança que deixará marcas terríveis não bastassem as já péssimas condições nos tempos de caça aos comunistas.

5-O BECO DO PILÃO – De Naguib Mahfuz. O segundo livro que li de um autor egípcio e aqui do ganhador do primeiro prêmio Nobel para um autor do Egito em 1988. O livro foi adaptado para o cinema como O Beco dos Milagres e transpõe a narrativa para um beco do Cairo para a Cidade do México, tendo Salma Hayek no papel principal. A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial num bairro pobre em que pequenas tragédias e aspirações banais dão um panorama da vida de pessoas simples com paixões, fantasias, homossexualidade, religiosidade, prostituição e criminalidade. Uma obra excelente.

6-ANGÚSTIA – De Graciliano Ramos. Após Vidas Secas, São Bernardo e Memórias do Cárcere este foi o quarto livro que li do autor após um intervalo de décadas sem ler nada dele, o que é praticamente um crime, pois se trata de um dos maiores autores da literatura brasileira e dono de uma escrita única. A história de Luís da Silva, um homem pobre, funcionário público e que vive em uma pensão vagabunda em Maceió. Por meio de flashbacks o narrador nos transporta, por meio de um magnífico fluxo de consciência, para dentro da sua mente conflituosa, com mistura de fatos atuais e memórias da infância envolvendo uma estranha obsessão do narrador pela sua vizinha Marina. Um livro complexo e impossível de esquecer e  uma das melhores leituras do ano.

7-QUEM MATOU MEU PAI – De Édouard Louis. Segundo livro que li do autor após O Fim de Eddy. Uma narrativa crítica baseada nas memórias de um filho que viveu sob o estigma da crítica social e familiar à sua homossexualidade, com as dificuldades da relação entre pai e filho e a pobreza.  Em um trecho ele quase perdoa as violências sofridas nas mãos do pai: “Quando você bebia demais, baixava os olhos e dizia que me amava, que não entendia por que no resto do tempo era tão violento. Chorava confessando que não sabia como interpretar essas forças que o atravessavam, que o faziam dizer coisas das quais se arrependia no minuto seguinte. Você era tão vítima da violência que exercia como daquela que sofria”

8-DIÁRIO QUASE SECRETO DE UM GAROTO DE PROGRAMA – De  Hiago Waldeck. Fiquei bem impressionado com a história do jovem brasileiro que se envolveu com a prostituição por falta de oportunidades após ter sido expulso de casa devido à sua homossexualidade. Originado de uma família muito pobre e desajustada, ele conta com muita sinceridade e até humor os problemas enfrentados como garoto de programa. O livro não esconde nada e é honesto ao relatar os perrengues e as aventuras. O autor, há muitos anos teve alguma repercussão quando escrevia suas histórias num blog, quando os blogs estavam no auge. A leitura, na época, foi uma das inspirações para que eu publicasse o meu próprio livro que tem esse universo como uma das temáticas.

9-THE WALKING DEAD 2 - O CAMINHO PARA WOODBURY – De Robert Kirkman e Jay Bonansinga – A leitura desse livro obedeceu a uma lógica esquisita já que li o volume 3 da série e depois li o volume 1. Agora conclui o volume 2 e as coisas podem, de certo modo, seguir adiante para os volumes seguintes. Aqui temos a continuação do drama que fez com que grande parte da população de mortos virasse zumbi, aterrorizando os poucos sobreviventes da praga. Um pequeno grupo tenta organizar uma comunidade depois do apocalipse mas estão próximos demais de uma floresta e uma horda de zumbis se aproxima. Após um ataque terrível um pequeno grupo escapa e vai parar nas mãos do terrível Governador (personagem principal da série) e a gente o tempo todo se questiona se é pior ser vítima dos zumbis ou do psicopata governador.

10-POLÍCIA – De Jo Nesbo -15º livro que li do autor norueguês Jo Nesbo um dos mais famosos escritores de romances policiais. Temos novamente aqui o detetive alcoólatra Harry Hole. A série com Hole inclui os volumes: O Morcego, Baratas,  Garganta Vermelha,  A Casa da Dor,  A Estrela do Diabo,  O Redentor,  O Boneco de Neve,  O Leopardo, O Fantasma,  Polícia,  Sede e Faca. Neste décimo volume da série, Hole vê seus amigos mais próximos correndo perigo quando um assassino que aterroriza as ruas de Oslo começa a matar policiais nas cenas de crimes que eles não conseguiram resolver e Hole precisa lançar mão de toda sua inteligência para não ser ele mesmo a próxima vítima. A conhecida coleção de reviravoltas numa trama inteligente que prende o leitor.

11-FRANTUMAGLIA: OS CAMINHOS DE UMA ESCRITORA – De Elena Ferrante. Este foi o 10º livro que li da autora napolitana famosa internacionalmente por não revelar sua identidade e por ser um sucesso de vendas com variadas adaptações para as telas.  Após a excelente tetralogia napolitana e mais outros cinco livros de ficção, deparei-me com esta obra de não-ficção que são entrevistas que a autora concedeu ao longo dos anos e que foram publicadas em um volume que certamente agradará leitores que já conhecem seu trabalho. Aqui estão entrevistas a dezenas de jornais e revistas, cartas e partes descartadas do livro Dias de Abandono. Esta leitura me lembrou outra que fiz no começo do ano com o livro de José Saramago Cadernos de Lanzarote em que, pela primeira vez, li uma obra de não-ficção do prêmio Nobel português de quem já li 15 romances e que publicou seus diários e correspondências ao longo dos anos.

12-A ERA DE JULIANO - PAGANISMO E CRISTIANISMO NO IMPÉRIO ROMANO – De Gaetano Negri. Uma excelente abordagem sobre uma época e um tema que muito me atraem já que o imperador Juliano sempre foi um mistério para mim, além do que sempre quis ler o livro Juliano, escrito por Gore Vidal. Aqui estamos no ano 361, quando o cristianismo é a religião oficial do Império Romano. Quatro imperadores cristãos já haviam governado em sequência, mas a religião vive profundos debates, corrupção generalizada e crises entre correntes internas do cristianismo e embates com as religiões antigas quando a ascende ao trono o jovem imperador Juliano, pagão cultíssimo que decide restaurar a civilização helênica e o culto aos seus deuses tendo entrado para a história como o Apóstata, pois a Igreja que ele combateu tornou seu nome odioso. Seu império durou oito anos mas marcou profundamente a história.

13-AGÊNCIA DE INVESTIGAÇÕES HOLÍSTICAS DIRK GENTLY – De Douglas Adams. Após a leitura da engraçadíssima serie O Guia do Mochileiro das Galáxias, uma das coisas mais divertidas que já li na vida, resolvi voltar à mente do excelente Douglas Adams. Aqui ele tem como personagem principal um engenheiro de computação que leva uma vida comum até que seu caminho se cruza com Dirk Gently, um investigador trambiqueiro. Juntos, eles vão se envolver com o assassinato de um ricaço, um Monge Eletrônico (criado apenas para acreditar em coisas para outras pessoas que acham que acreditar em tudo é cansativo), sua mula presa misteriosamente em um banheiro, fantasmas, ETs, enfim, tudo que a mente de Douglas Adams é capaz de produzir. Há uma continuação que pretendo ler também.

14-AUTO DA COMPADECIDA – De Ariano Suassuna. Após assistir ao filme baseado nessa na obra famosa que eu ainda não tinha lido parecia que não precisaria ler a peça mas como não tinha lido nada de Suassuna resolvi riscar essa falha do meu curriculum. Creio que a referência do filme tirou um pouco do impacto que poderia ter se eu não conhecesse a adaptação porque é um texto brilhante escrito em 1955 com profundas críticas sociais, políticas e religiosas. A ação se passa em Taperoá, na Paraíba e os personagens João Grilo e Chicó são icônicos e eternamente no imaginário brasileiro.

15-LIBERTY BAR – De George Simenon. Apesar de o autor belga ser considerado o romancista mais prolífico do mundo, com mais quase 200 romances e 150 novelas, eu não tinha lido nenhum dos seus livros apesar de ter ganho muitos de presente de uma amiga. Resolvi li Liberty Bar em que está presente o icônico detetive de quase todas as suas obras, o comissário Jules Maigret sempre com deduções baseadas não na lógica como ocorre com os famosos detetives Sherlock Holmes, Hercule Poirot e Auguste Dupin, mas na observação do comportamento comum e cotidiano das pessoas. Aqui Maigret investiga o assassinato de um alcoólatra australiano esfaqueado na riviera francesa quando conhece quatro mulheres entre elas uma velha dona do peculiar Liberty Bar e para minha surpresa Maigret permite que o assassino escape impune. 

16-A FILHA DE AGAMENON / O SUCESSOR – De Ismail Kadaré. Já havia lido dois livros do autor albanês de cuja prosa sou fã. Esse volume reúne um conto e uma novela em torno do mesmo caso. O autor precisou esperar décadas para sua publicação em razão da feroz censura do regime comunista da Albânia.  As duas histórias são inspiradas no caso do assassinato do número dois na hierarquia política e futuro condutor da nação cuja filha é obrigada a terminar a relação com um jornalista da TV estatal. Uma obra extremamente bem amarrada com ecos da mitologia grega, da Guerra de Tróia e do absurdo kafkiano numa estrutura que lembra o filme Rashomon  de Akira Kurosawa em que cada capítulo foca em um  personagem distinto ligado ao morto ou à sua morte.

17- O FILHO DE MIL HOMENS – De Valter Hugo Mãe – Segundo livro que li do autor depois de As Mais Belas Coisas do Mundo. Confesso que não estava muito animado para ler este livro porque não gostei da adaptação para o cinema com Rodrigo Santoro no papel principal, mas  deixei de lado o preconceito e fiz bem porque o livro é excelente. Em uma aldeia litorânea de Portugal, o pescador Crisóstomo (Santoro no cinema) é um homem solitário que aos 40 anos sente a insuportável falta de ter um filho. Sua vida muda quando ele acolhe Camilo, menino órfão de uma mãe anã. Outra personagem que tenta fugir de sua própria dor é Isaura, que cruza o caminho dos dois e também Antonino, jovem homossexual que sofre rejeição da comunidade. Juntos, os quatro solitários aprendem o significado de família e o propósito de compartilhar a vida. Um belo livro que dá um calorzinho no coração como um conforto.

18-LADY SUSAN – De Jane Austen - Esse foi o sexto livro que li de Jane Austen e difere das suas obras mais famosas porque aqui ela conta as histórias por meio de cartas. Esse charme me capturou. A personagem principal que dá título à obra é uma das vilãs mais interessantes que já li. Imersa no pântano da hipocrisia da sociedade rural inglesa do século XVIII, a história da bela e malvada recém viúva Lady Susan que faz de tudo para conseguir um bom casamento para ela e para sua filha, usando todas as armas, subterfúgios, intrigas e métodos escusos e somos testemunhas privilegiadas já que temos acesso a cartas dela, de vários dos seus parentes, admiradores e vítimas. Uma pequena pérola já que infelizmente é um livro curtinho.

19-A INVENÇÃO DE MOREL – De Adolfo Boy Casares – Primeiro livro que li do celebrado autor argentino. Apesar da imensa fama e prestígio e elogios rasgados do próprio papa da literatura fantástica argentina Jorge Luis Borges, a quem a obra inclusive é dedicada, confesso que não vi nada de extraordinário nesse livro, pelo contrário, achei-o maçante e repetitivo apesar das suas pouco mais de 100 páginas, sendo o primeiro romance do autor, escrito quando ele tinha apenas 26 anos. Aqui temos um prisioneiro fugindo de uma prisão e chegando a uma ilha isolada com construções misteriosas. Há uma doença mortal envolvida, estranhos visitantes que o ignoram, uma paixão bem gratuita por uma turista e até dois sóis e duas luas no céu. Não me agradou nem um pouco. 

20- HISTÓRIAS DE SHERLOCK HOLMES – De Arthur Conan Doyle - Finalmente consegui ler o último dos nove livros de romances e contos publicados pelo escritor Arthur Conan Doyle com o seu personagem icônico, o detetive Sherlock Holmes.  Aqui temos 12 contos em que Holmes se despede da literatura pelas mãos do seu autor que havia matado o personagem, mas por pressão dos leitores e editoras precisou ressuscitá-lo. Mas agora foi definitivo, pelo menos pelas penas do autor original. Aqui estão reunidos textos publicados entre 1921 e 1927 pela Strand Magazine.

21- NÓS JÁ MORAMOS AQUI – O livro de estreia do autor Marcus Kliewer tem feito muito barulho e sucesso. Um thriller psicológico com elementos de terror que teve início como um conto postado num fórum da internet, mas que teve tanto impacto que não demorou muito para se tornar um livro bem interessante já tendo inclusive seus direitos comprados pela Netflix que vai adaptá-lo para um filme ou série. A narrativa é intrigante. Um casal de mulheres que compra casas antigas e as reformam para revenda recebe a visita inesperada de uma família cujo pai afirma ter vivido ali na infância e pede para mostrar o imóvel para os filhos e a esposa. Tudo se torna muito perturbador e deixa no leitor a sensação de que não dá para confiar em nada e em ninguém, inclusive na narradora.

22-HAMLET
– De William Shakespeare – Não posso dizer que realmente li a peça trágica sobre o príncipe da Dinamarca assombrado pelo fantasma do pai, a traição do tio e da mãe, uma das mais emblemáticas do maior dramaturgo de todos os tempos, pois essa edição baratinha da editora Princeps é apenas uma adaptação em prosa feita por pelo escritor brasileiro Júlio Emílio Braz. Ainda preciso ler a versão teatral apesar de já ter assistido à sua adaptação nas telas e nos palcos mais de uma vez e pelas minhas contas todos os 9 atores principais morrem assassinados, envenenados ou suicidados.

23-JUVENTUDE – Segunda obra que li do escritor Joseph Conrad. Neste conto, temos o mesmo narrador de outros livros do autor, o marinheiro Charles Marlow, que viria a ser o protagonista de outras obras-primas de Conrad, como Coração das Trevas, que já li, e Lord Jim, que pretendo ler em breve. Aqui, velhos amigos se reúnem para beber com Marlow e ele narra nostalgicamente sua primeira viagem ao Oriente, quando tinha apenas 20 anos no navio Judea (história baseada no navio Palestine em que Conrad serviu), uma embarcação decadente carregada de carvão que enfrenta uma série de tempestades até naufragar em um incêndio catastrófico. Uma ode às ilusões e à fé inabalável típicas da juventude diante dos perigos implacáveis do mar e da vida.

24-MITOLOGIA NÓRDICA – Segundo livro que li de Neil Gaiman após Deuses Americanos e após ter assistido a sua maravilhosa série Sandman (vi também a série Deuses Americanos, mas só gostei das primeiras temporadas). Aqui, o autor relata quinze contos nórdicos que compõem esta elegante edição em capa dura narrando desde a origem do mundo, os conflitos intermináveis entre deuses, gigantes e anões até o Ragnarök, o apocalipse que vai levar ao fim no mundo. Acompanhamos não apenas as histórias de Odin, Thor e Loki, os personagens mais famosos da epopeia, mas vários outros deuses escandinavos. Uma excelente porta de entrada para quem deseja saber um pouco mais sobre essa mitologia fascinante.

25- ESAÚ E JACÓ – Após muitos anos sem ler Machado de Assis me dei novamente o prazer de desfrutar da sua escrita maravilhosa. Aqui novamente temos o Machado irônico e que em diversos capítulos provoca diretamente o leitor com tiradas geniais removendo a gente da zona de conforto. A história dos gêmeos Pedro e Paulo que crescem no Rio de Janeiro durante o fim do Império e o golpe da República e têm intermináveis conflitos desde o útero da mãe até a luta pelo amor da jovem Flora. 

26.5.26

20 LIVROS LIDOS DE JANEIRO A MAIO DE 2026




Continuo, pelo 8º ano, a publicar breves resenhas dos livros lidos e divido as postagens em três blocos.

Aqui estão os 20 lidos de Janeiro a Maio deste ano. Esse número ficou na média dos lidos no mesmos cinco meses iniciais dos últimos anos (27 em 2019; 22 em 2020; 20 em 2021; 21 em 2022 e 14 em 2023; 16 em 2024 e 22 em 2025).

Mulheres, brasileiros e não-ficções continuam perdendo a batalha. Foram lidos apenas 1 livro de autora mulher x 19 de homens; 3 de brasileiros x 17 de europeus e norte-americanos e 3 de não-ficção x 17 romances.

1-A ASSUSTADORA HISTÓRIA DO SEXO – Terceiro livro que li de Richard Gordon. Assim como nos anteriores: A Assustadora História da Medicina e Os Grandes Desastres da Medicina, é divertidíssimo, e o autor nos conduz pela história da sexualidade humana, de forma picante e com leve toque de humor, apresentando a verdade por trás dos relacionamentos e hábitos sociais de personagens da história, abordando casos amorosos de personalidades históricas que não constam nos livros oficiais de História como a Rainha Elizabeth I e as várias especulações em torno de sua virgindade, os valores vitorianos, as doenças venéreas e muitas informações saborosas.

2-OS ÚLTIMOS CASOS DE SHERLOCK HOLMES – Este foi, apesar do título, o penúltimo dos nove livros publicados pelo escritor Arthur Conan Doyle com o seu personagem icônico, o detetive Sherlock Holmes que li. Agora só me falta o último desses nove livros.  Aqui temos Holmes vivendo em uma pequena fazenda criando abelhas e com reumatismo e relembrando casos importantes do passado, todos excelentes contos, entre eles: O Caso da Vila Glicínia, O Caso da Caixa de Papelão, O Caso do Círculo Vermelho, O Caso do Detetive Agonizante e O Caso do Pé do Diabo.


3-O FANTASMA -14º livro que li do autor de romances policiais norueguês Jo Nesbo e mais um mistério a ser desvendado pelo trágico e genial detetive alcoólatra Harry Hole.  Nesta obra, que continua a série, Harry carrega uma enorme cicatriz no rosto e uma prótese de titânio num dos dedos. Quando Oleg, filho da sua ex namorada Rakel, é preso como o principal suspeito de um homicídio. Hole decide investigar o mistério já que ele não aceita que o rapaz que ajudou a criar seja um assassino numa Oslo infestada pelo tráfico de drogas de uma substância altamente viciante chamada violino num ambiente de corrupção, assassinatos e jogos de interesses.


4-AS VINHAS DA IRA – Segundo livro que li do autor americano  John Steinbeck depois de Ratos e Homens. Considerado a obra-prima do autor, rendeu-lhe o Prêmio Pulitzer e o Nobel. Steinbeck, durante a Grande Depressão, mesmo não sendo comunista, foi acusado de  sê-lo, ao pondo de o livro ser  queimado e banido das escolas e bibliotecas.  A obra tem início quando Tom Joad deixa a prisão e, chegando em casa, descobre que toda a família e os vizinhos estão deixando as terras, expulsos por bancos que compraram as fazendas de agricultores falidos. A família parte para a Califórnia na esperança de encontrar trabalho após vender todos os pertences em troca de poucos dólares e a história se desenvolve durante este terrível périplo em que o sonho americano é apresentado como um horrível pesadelo.

5-O CLUBE DO CRIME DAS QUINTAS FEIRAS  – Primeiro livro que li do autor Richard Osman e que recentemente virou uma série da Netflix com um elenco de estrelas formado por Pierce Brosnan, Helen Mirren, Ben Kingsley entre outros. Uma história divertida sobre um clube formado por velhinhos que moram em um condomínio de luxo para aposentados na Inglaterra e que se reúnem para resolver crimes jamais solucionados pela polícia. Os velhinhos são bastante interessantes, mas a história me pareceu um tanto confusa com um pouco de idas e vindas ao passado e umas mortes meio forçadas. O autor lançou algumas continuações, mas confesso que não tenho interesse em me aventurar mais nesse universo.


6-O RIO QUE ME CORTA POR DENTRO – Primeiro livro que li do brasileiro Raul Damasceno e que me agradou imensamente com uma prosa rápida e lírica. É pequeno mas caudaloso e intenso, unindo  delicadeza e agressividade.  Uma história de separação, dores, frustrações, desejo e descoberta do amor e da sexualidade, com muitas feridas emocionais. Cícero é um rapaz  mergulhando na ausência materna no interior do Ceará e que é criado pelos avós. Sua mãe mora em Fortaleza e trabalha como doméstica e apenas uma vez por ano visita o filho. Nesse universo partido, ele descobre o carinho do vizinho Luzimar, seu melhor amigo de infância, mas esse amor é, ao mesmo tempo, alívio e nova fonte de sofrimento . Uma das melhores leituras do ano.

7-A ÚLTIMA MULHER – Esse foi o segundo livro que li do escritor brasileiro de romances policiais Luiz Alfredo Garcia-Roza depois de Berenice Procura. Nessa história temos novamente o delegado Espinosa, personagem de vários livros do autor, numa investigação envolvendo os exploradores de mulheres Rato e Japa, no bairro da Lapa. Quando um violento policial decide chantagear o cafetão Ratto, ele desaparece, mas sua namorada Rita, uma prostituta jovem e  inteligente, vê-se em meio a uma caçada pelas ruas e becos escuros da cidade. O delegado Espinosa entra no caso quando começam a surgir mulheres mortas com crueldade.  Não gostei muito da história e não me ambientei muito no universo retratado da marginalidade e boemia cariocas. Não que o universo não me agrade mas não me pareceu bem construído. Não achei que o celebrado delegado Espinosa se sai muito bem dessa investigação, pelo contrário.

8-O PLANETA DOS MACACOS – Primeiro livro que li do autor francês Pierre Boulle e que se tornou uma das mais bem sucedidas histórias de ficção científica após várias adaptações. No ano de 2.500, astronautas da Terra chegam a um planeta dominado por macacos evoluídos onde seres humanos são selvagens tratados como animais.  O protagonista, o jornalista Ulysse Mérou, é capturado por gorilas e levado para um laboratório onde humanos são utilizados em experimentos científicos. No cativeiro, o jornalista entra em contato com cientistas chipanzés que tentam entender o funcionamento do cérebro humano tão diferente dos demais. O final do livro é diferente do final do filme em que vemos o personagem de Charlton Heston encontrando a Estátua da Liberdade tombada numa praia, mas também consegue ser surpreendente e original.

9-AS ORIGENS DO TOTALITARISMO – Primeiro livro que li da filósofa mais influente do século XX, a alemã Hannah Arendt. Uma aula magna com mais de 800 páginas sobre a história do antissemitismo, do imperialismo e sua influência nos  regimes totalitários. Para ela, antissemitismo, pensamento racial e novo imperialismo, lançaram as bases para o totalitarismo no século XX.  No trecho em que relembra o papel do escritor Émile Zola na defesa do capitão judeu Alfred Dreyfus em 1898 citando o estadista Georges Clemenceau: “Já houve homens que resistiram aos mais poderosos monarcas e se recusaram a inclinar-se diante deles, mas tem havido poucos capazes de resistir à multidão, e sozinhos enfrentar as massas mal orientadas, de encarar desarmado o seu implacável frenesi e, de braços cruzados, ousar dizer não!, quando o que a massa exige é um sim. Esse homem foi Zola”

10- OS TRÊS MOSQUETEIROS – Quarto livro que li do escritor francês Alexandre Dumas após O Conde de Monte Cristo, O Colar da Rainha e da sua Biografia Literária de Napoleão Bonaparte. Este livro, com mais de 700 páginas, publicado originalmente como folhetim em 1844 e extremamente adaptado para as telas, descreve as aventuras dos conhecidíssimos Athos, Porthos, Aramis e d’Artagnan que entraram para a Literatura como uma das amizades mais leais já contadas e que se passa na França durante o reinado de Luis XIII, com subtexto histórico em que são personagens o poderoso Cardeal Richelieu e a rainha Ana da Áustria. Esqueça as adaptações juvenis. Apesar do caráter aventureiro, os mosqueteiros frequentemente não são sempre heróis, mas apresentam alguns defeitos, sendo vaidosos, mulherengos e briguentos.

11-WALKING DEAD - A ASCENÇÃO DO GOVERNADOR – Série pós-apocalíptica de Robert Kirkman e Jay Bonansinga, adaptada com sucesso para as telas, e que apesar de possuir os sete volumes, comecei, por engano, a ler a partir do volume 3 A Queda do Governador. Ao descobrir o erro, já tinha terminado o livro de que gostei muito. Então decidi ler o volume 1 - A Ascensão do Governador. Pensei: "esse personagem que será o governador no livro 3 está tendo sua história contada aqui". Mas eis que a história consegue me surpreender como se ela soubesse que eu tinha lido antes o livro 3. Não era o que eu estava pensando. A história começa algumas semanas depois de o mundo colapsar com as pessoas sendo transformadas em zumbis que vagam pela terra. Assustados, os irmãos Brian e Phillip e a filha de um deles de apenas 7 anos, lutam para sobrevier no meio do caos saqueando casas para achar mantimentos e abrigo, passando fome e medo. Aqui descobrimos como o ameaçador vilão na história foi moldado.

12-A SOMBRA DO VENTO – Primeiro livro que li do escritor Carlos Ruiz Zafón. Esperava muito mais, após tantos elogios publicados. Primeira parte da tetralogia: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Não me animei para ler os volumes seguintes. O cenário é Barcelona após a Segunda Guerra Mundial. Daniel, de 11 anos, é criado amorosamente pelo pai livreiro que o leva para conhecer o misterioso Cemitério de Livros, onde toda obra literária abandonada espera um leitor. Daniel se encanta pelo romance A Sombra do Vento e fica obcecado pelo autor Julian Carax. Ao procurar outras obras dele e descobrir que alguém estava queimando todos os seus livros, Daniel parte para uma investigação, conhece dezenas de personagens e atravessa lugares e a história de Barcelona. A busca o leva ao amadurecimento e a novos sentimentos. O texto não me encantou. Achei mal amarrado e com personagens demais .

13- A PACIENTE SILENCIOSA – Primeiro livro que li do autor Alex Michaelides e que fez grande sucesso há alguns anos, ficando por muito tempo no topo da lista dos mais vendidos.  A história gira em torno de uma famosa pintora que está num hospital psiquiátrico por ter matado o marido com quem ela levava uma vida perfeita. Desde sua prisão, ela não diz uma só palavra até que um psicoterapeuta aparece determinado a fazê-la falar e descobrir a verdade. À medida que se aprofunda na mente dela e investiga seu passado, segredos vêm à tona. O romance conduz a uma revelação surpreendente e perturbadora, que redefine toda a narrativa e a percepção de quem é a verdadeira vítima. A narrativa é contada em primeira pessoa pelo psicoterapeuta que quebra várias regras para conseguir descobrir a história de sua paciente. O tão falado plot twist do livro é bom, mas não me encheu tanto os olhos.

14- O CORAÇÃO DAS TREVAS- Primeiro livro que li do autor Joseph Conrad que ficou mais conhecido após a aclamada adaptação para o cinema por Francis Ford Coppola como Apocalypse Now. Uma novela publicada originalmente em três capítulos em 1899 e baseada em experiências do autor quando era marinheiro na África. Um mergulho excepcional e apaixonante com uma visão crua e extremamente crítica ao colonialismo europeu no continente africano. Acompanhamos, por meio da narrativa do capitão Charles Marlow, sua terrível experiência quando se candidatou para comandar um barco pelo rio Congo onde teria a missão de localizar o misterioso Kurtz, desviado da sua função de coleta de marfim para o governo belga.

15- ÓPERA DOS MORTOS- Primeiro livro que li do autor brasileiro Autran Dourado e que considero um dos melhores da vida. Fico impressionado por este autor tão premiado não ter a merecida relevância nos dias atuais. Essa obra prima foi lançada no fim dos anos 60, mas continua pouco comentada. O autor foi premiado com as láureas mais importantes da Literatura Brasileira como os prêmios Camões, Jabuti e Machado de Assis, além de ter sua obra reconhecida pela Unesco como obra representativa da literatura universal.  A história se passa no interior de Minas Gerais focada na decadência de uma família mostrando a terceira geração que habita um antigo e imponente casarão centenário. Linguagem com narrativa polifônica com fluxo de consciência que permite um mergulho inebriante e fantástico.

16-O FIM DE EDDY- Primeiro livro que li do badalado autor francês Édouard Louis e seu romance de estreia cujo estilo se insere no que recentemente passou a ser chamada auto-ficção. Acompanhamos as dificuldades da infância do jovem autor com a descoberta conflituosa da sua homossexualidade numa família disfuncional e  violenta num vilarejo da França. Chamou-me atenção os momentos em que o autor relata as cenas de frequentes bullings que sofreu de colegas e como isso o marcou profundamente, sobretudo a vergonha de apanhar e ser humilhado em público, refugiando-se todos os dias num lugar onde apanhava em segredo e a sensação de ser cúmplice desses espancamentos. Anos depois, descobre quão pouco isso significou para os espancadores que nem lembravam desses episódios, sendo que Eddy lhes consagrava todos os seus pensamentos e angústias desde que acordava.

17-O LEITOR – Primeiro livro que li do autor Bernhard Schlink que ficou muito famoso após a adaptação para o cinema com Kate Winslet (que ganhou o Oscar pelo papel) e Ralph Fiennes como protagonistas. A relação complexa entre Michael, adolescente de 15 anos, e Hanna, mulher 21 anos mais velha, na Alemanha pós-guerra. Na primeira parte, acompanhamos a descoberta do sexo e a paixão pela literatura do casal. Na segunda parte, anos depois, Michael assiste ao julgamento de Hanna por colaboração com o nazismo. Achei a narrativa frouxa, apesar do tema delicado. Incomodou-me a dificuldade do autor (e do seu narrador, convenientemente), em abordar as motivações da personagem de Hanna. Isso fica evidente no seu último encontro, onde ela lhe responde sobre o passado: “Não importa o que eu penso. Não importa o que eu sinto. Os mortos continuam mortos”. Pelo contrário, nós os leitores, precisaríamos saber o que ela pensa. Sua não versão seria como a falta da versão de Capitu em Dom Casmurro, com a diferença fundamental de que Machado de Assis faz a ausência da versão  feminina gritar, expondo o descrédito do narrador enquanto no Leitor a falta da versão de Hanna é uma óbvia limitação literária.

18- CADERNOS DE LANZAROTE - 
16º livro que li do prêmio Nobel português José Saramago (após 
Memorial do Convento, O Ano da Morte de Ricardo Reis, A Jangada de Pedra, Conto da Ilha Desconhecida, História do Cerco de Lisboa, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Ensaio Sobre a Cegueira, Todos os Nomes, A Caverna, O Homem Duplicado, Ensaio Sobre a Lucidez, As Intermitências da Morte, A Viagem do Elefante, Caim e Claraboia). Esses diários que o autor escreveu ao longo de vários anos em que viveu na ilha de Lanzarote, serão melhor aproveitados pelo leitor mais familiarizado com as suas obras. Aqui ele relata seu cotidiano ao lado da companheira Pilar, narra suas viagens pelo mundo, coleciona suas correspondências com amigos (como Jorge Amado de quem foi muito próximo), suas teses sobre o comunismo e ateísmo, suas premiações, sempre com um insuperável bom seu característico bom humor e pessimismo humanista.    



19 e 20 - DESESPERO E OS JUSTICEIROS– Esses foram respectivamente o 51º e 52º livros que li do mestre do terror Stephen King. O primeiro tem excelente narrativa, personagens bem construídos e história arrepiante. A clássica luta do bem contra o mal que ultrapassa o terror e discute a natureza da bondade e da maldade. Com mais de 560 páginas, a história flui como uma estrada que é o ponto de partida da trama. Desespero é o nome da cidade em que se passa a história onde um estranho policial sequestra e prende viajantes numa rodovia. O mistério envolve uma antiga mina onde morreram vários chineses soterrados há anos e artefatos malignos operados por uma entidade sobrenatural chamada TAK com poderes extraordinários e que se alimenta da dor e do sofrimento. Minha surpresa se deu na leitura do livro seguinte. Os Justiceiros, com metade do tamanho, é um espelho de Desespero como uma espécie de multiverso em que vemos quase todos os personagens do primeiro livro em situações diversas, mas estranhamente familiares. King deixa o início propositalmente confuso quando seis vans muito estranhas aparecem numa rua de uma cidade de Ohio e começam a atirar nos moradores. Aos poucos, descobrimos que a entidade TAK voltou e tudo pode acontecer com a mesma tensão e as mesmas mortes horríveis de que tanto gostamos nas páginas de Stephen King. Detalhe: eu havia abandonado a leitura desse livro até ler Desespero, quando tudo se encaixou e me trouxe de volta ao fantástico Os Justiceiros. As duas capas formam uma só imagem.




28.12.25

15 LIVROS DE MULHERES DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2025


Este ano de 2025 me comprometi a só ler livros escritos por mulheres de Outubro a Dezembro. 

Promessa cumprida e encerro os três últimos meses com a leitura de 15 livros escritos por autoras. Desses livros, dez são dedicados a protagonistas femininas, o que muito me agradou. Somando esses 15 aos 43 lidos entre janeiro e setembro, encerro o ano com 58 livros lidos.

Em 2018 foram 40. Em 2019 foram 68. Em 2020 foram 61.  Em 2021 foram 55.  Em 2022 foram 60. Em 2023 foram 50.  Em 2024 foram 32.

 

1 - UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES – Um livro desafiador da sempre desafiadora Clarice Lispector. Lançado em 1969, tem muitas características ousadas do romance moderno, como ter no seu início uma vírgula e no seu final, dois pontos. Foi ganhador do prêmio Golfinho de Ouro no seu lançamento. Sua protagonista Lóri faz uma longa viagem ao mais profundo de si mesma e chega à consciência total de ser ao se envolver com Ulisses, um professor de filosofia que tem o nome do herói grego que fecha os ouvidos para as outras sereias porque só está disponível para Lóri (Loreley) que é o nome de uma sereia que atraia para os rochedos os barqueiros do Reno.

2 - A OBSCENA SENHORA D – O primeiro livro que li da brasileira Hilda Hilst. Lançado em 1982 é até hoje considerada uma das obras mais cultuadas e transgressoras da sua autora. Uma história que retrata uma senhora de sessenta anos após a morte do seu marido Hillé. Ela está absolutamente solitária e decide viver no vão da escada de casa e experimentar o mais profundo isolamento. Num intenso fluxo de consciência, o que gera estranhamento e dificulta a leitura, ela se vê às voltas com lembranças do passado ao mesmo tempo que se pergunta sobre o verdadeiro sentido da vida.

 


3 - O MATADOR – Primeiro livro que li da brasileira Patrícia Melo. Lançado em 1995, adaptado para o cinema em 2003 com o título de O Homem do Ano e com roteiro de Rubens Fonseca, tem Murilo Benício no papel principal e Wagner Moura e Claudia Abreu no elenco. Após uma aposta de futebol, Máiquel, jovem vendedor de carros usados na periferia de São Paulo, precisa tingir o cabelo de louro. A história a partir deste fato o leva a se tornar aos poucos um matador de renome respeitado por todos, comerciantes, políticos e até pela polícia. Um crescendo de tensão e enlouquecimento com muita violência e sexo.

 

4 - A CABEÇA DO SANTO - Primeiro livro que li da brasileira Socorro Acioli. Decepcionou-me profundamente pois esperava muito da autora cuja obra foi incensada por vários críticos. Samuel, cuja mãe faz um último pedido antes de morrer: que ele vá encontrar a avó e o pai que nunca conheceu, faz a pé o caminho de Juazeiro do Norte até a pequena Candeia, enfrentando a inclemência do sol do sertão. Ao chegar, encontra quase uma cidade fantasma e se abriga na cabeça oca e gigantesca de uma estátua de santo Antônio e começa a escutar uma confusão de preces femininas dentro da cabeça do santo. Imita Pedro Páramo, romance do mexicano Juan Rulfo que influenciou Garcia Márquez (promotor da oficina de que a autora participou em Cuba). Há realismo fantástico com péssimos diálogos, fraquíssimo desenvolvimento de personagens, ambientação clichê e lapsos narrativos. Irritante além da medida. 

5 - O HOMEM DA FORCA- Segundo livro que li da autora norte-americana Shirley Jackson (após Assombração da Casa da Colina), mas que não me arrebatou tanto. A autora é reconhecida por suas obras de horror e mistério e influência para autores como Stephen King, Neil Gaiman e Donna Tartt. A protagonista de 17 anos, anseia deixar a casa dos pais e entrar na universidade e quando isso ocorre suas pequenas certezas se evaporam. Ela não é mais capaz de compreender onde termina a realidade e onde começa sua alucinação. Há um contínuo crescimento da dissociação mental, diluição da identidade envolvendo abuso sexual e suicídio. O título original O Enforcado parece mais adequado já que a história aborda o tema da carta do Tarô, que traduz o dilema da infeliz protagonista.


6 e 7 - O SEGREDO DA EMPREGADA e A EMPREGADA ESTÁ DE OLHO – Este ano resolvi ler os três best seller de Freida McFadden. O primeiro, que já comentei, foi A Empregada e agora li os outros dois. Novamente temos um assassinato e vários plot twists, mas a autora consegue ser eficiente. São entretenimento honesto e bom passatempo. Se no primeiro livro conhecemos Millie, que trabalha como faxineira e se envolve em crimes, nos dois seguintes ela divide a narrativa com outros personagens fazendo a história ter reviravoltas narrativas com diferentes pontos de vista.  

8 - O ACONTECIMENTO - De Annie Ernaux. Primeiro livro que li da ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 2022. Aqui ela retorna ao ano de 1963 quando era uma estudante de 23 anos que engravida do namorado e sem poder contar com o apoio dele ou da própria família numa época em que o aborto era ilegal na França, ela vive praticamente sozinha o acontecimento que destrincha quarenta anos depois. A descrição do aborto é brutal e extremamente impactante. E a autora reflete sobre a onipresença da lei e seu imperativo sobre o corpo feminino. O livro foi adaptado para o cinema com o mesmo título e ganhou o Leão de Ouro em Veneza e venceu o prêmio César de Melhor atuação feminina em 2021 e 2022. 

9 - OS ANOS – Segundo livro seguido que li de Annie Ernaux. Uma autobiografia impessoal usando um sujeito coletivo que ocupa o lugar do eu para dar luz a um novo gênero literário onde recordações pessoais se mesclam à História, o que atualmente é conhecido como autoficção. Nascida em 1940, ela afirma que era tarde demais para se lembrar da guerra, mas que foi receptora das recordações e mitologias familiares. Passamos por seis décadas com eventos como a Guerra da Argélia, a revolução dos costumes, o nascimento da sociedade de consumo, as principais eleições francesas, a virada do milênio, o 11 de Setembro e as inovações tecnológicas.

10 - EU SEI POR QUE O PÁSSARO CANTA NA GAIOLA - Primeiro livro que li da autora e ativista dos direitos humanos dos EUA, Maya Angelou, publicado originalmente em 1969. Aqui ela conta episódios da sua infância e juventude quando foi criada por sua avó no sul segregacionista e racista. A autora foi amiga de personalidades como Nelson Mandela, Barak Obama, Martin Luther King entre outros e também uma poeta laureada e relembra episódios dolorosos como um estupro sofrido na infância e o grande carinho pelos pais e irmão. O livro aborda o poder da educação e da literatura na transformação do indivíduo. Esse livro tornou-se um clássico internacional e foi o primeiro de uma série de relatos autobiográficos que transformaram a autora em uma figura literária de destaque mundial.

11- JANE EYRE - Com 530 páginas, esta foi a primeira obra que li da autora Charlotte Brontë, que divide com Orgulho e Preconceito e outros livros de Jane Austen o panteão de grandes obras literárias de autoras inglesas do século XIX. Clássico da literatura à frente do seu tempo pelo protagonismo de uma personagem feminina forte e explorar questões de classe, sexualidade, religião e gênero. História da órfã que sofre desde pequena sendo maltratada pela tia, em seguida pena numa horrível escola de meninas e consegue superar essas adversidades graças à sua natureza firme e independente, quando é contratada como governanta numa mansão rural. Ao se envolver com seu patrão, descobre um segredo terrível. Romance gótico com crítica social e moral. 

12 - O MISTERIOSO CASO DE STYLES – Mais um livro que li da inglesa Agatha Christie, maior autora de livros policiais que já existiu. Este livro ficou marcado como o primeiro livro da autora e o primeiro caso do excêntrico e genial detetive belga Hercule Poirot. Aqui temos a sempre bem sucedida fórmula de um assassinato e vários suspeitos em um só local. Na mansão Styles, Poirot e seu inseparável amigo Hastings desvendarão o assassinato de Mrs. Emily Inglethorp, em que são suspeitos seus enteados, seu segundo esposo vinte anos mais novo e de passado nebuloso e uma série de agregados suspeitos de envenenamento.

 

13 - OS RELÓGIOS - Esse livro de Agatha Christie tem um título que pode confundir com outro livro a autora “O Mistério dos Sete Relógios”, que ainda não li e que recentemente recebeu uma adaptação da Netflix.  Essa história não me encantou, em parte por que achei a trama artificial e desnecessariamente complicada, em parte por que matei parte da charada no começo e por último por que a participação de Hercule Poirot é mínima. A ideia foi desafiar Poirot a desvendar um crime à distância, sem fazer parte direta das investigações e sem interrogar testemunhas. Não funcionou para mim.

14 - PEQUENAS GRANDES MENTIRAS - Segundo livro que li da autora australiana Liane Moriarty após o ótimo O Segredo do Meu Marido. Nos dois livros as capas são horríveis, mas aqui vemos que a autora tem realmente excelente talento narrativo, principalmente na construção de personagens femininas. Essa obra foi adaptada com sucesso para uma série com duas temporadas tendo no elenco Nicole Kidman, Meryl Streep, Reese Witherspoon, Laura Dern e Alexander Skarsgard. Apesar de eu já conhecer o desfecho da história que envolve uma morte e sua investigação policial, o livro consegue prender a atenção usando uma tensão constante já que somente no final da narrativa você descobre quem matou e quem morreu. Os capítulos são curtos e intercalados por trechos de depoimentos na polícia. Excelente. 

15-NADA É O QUE PARECE SER – Este é o sexto livro que li de Patrícia Highsmith, a incrível autora da série de romances policiais O Talentoso Ripley, que foi adaptado várias vezes para as telas. Aqui, em 592 páginas temos uma compilação dos melhores textos esparsos da escritora considerada pelo Times, a melhor autora de suspense de todos os tempos. São 28 contos em que ela experimenta técnicas narrativas diferentes em histórias de mistério que carregam sua marca própria em que se sobressai a humanidade de seus heróis e heroínas extraídos das pessoas comuns e que conseguem coroar sua existência com inesperadas vitórias.