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5.11.25

49ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

Há 23 anos bato ponto na maratona de filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Este continua a ser, como todos os anos, o ponto alto das minhas férias.

Sempre compro passaporte para 40 filmes, o que continua a ser vantagem, já que, por R$ 440,00 pagos antecipadamente, acabo pagando o equivalente a R$ 11,00 por filme (caso assista aos 40) — menos do que o valor da meia-entrada durante a semana. É possível ainda reservar o filme com 5 dias de antecedência e evitar risco de ingressos esgotados, o que acontece muito com os mais concorridos.

A correria é grande, e muitas vezes o cansaço bate, impedindo que eu veja todos os filmes desejados. Este ano foram exibidos 350 filmes de 80 países, em 15 dias (mais os dias da repescagem) em mais de 50 salas. Houve mais de 20 produções brasileiras inéditas e dezenas de filmes premiados em festivais como Cannes, Berlim, Veneza, San Sebastian, Tribeca, Roterdam, Locarno, Sundance, entre outros.

Vi 30 filmes no total. No ano passado, vi 31 (perdi os outros por pura exaustão). Assim, acabei pagando R$ 15,60 por cada filme — uma pechincha. Este ano dei a sorte de ter assistido à maioria dos vencedores da Mostra, algo que normalmente não acontece, pois todo ano os premiados são justamente os filmes que acabei perdendo. Aqui está uma breve avaliação dos 30 filmes a que assisti ordenados por preferência. Triste, mas os três piores foram justamente três produções brasileiras.

DJ AHMET-Prêmio Especial do Juri da Mostra. O jovem pastor Ahmet tem 15 anos e vive numa distante e isolada aldeia muçulmana na Macedônia do Norte. Ele encontra refúgio na música, enquanto lida com as expectativas do pai, a doçura do irmãozinho, que o venera, a rigidez da comunidade conservadora e sua primeira experiência com o amor por uma jovem prometida a outro homem. Vencedor do Prêmio do Público e do Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance. Trilha sonora encantadora e atuação impecável do jovem ator Arif Jakup. O Hollywood Reporter elogiou as "atuações sólidas e naturalistas" do elenco, com atenção especial para Jakup, e afirmou que ele "tem uma qualidade elegante e agradável ao público. O filme critica de forma divertida certos costumes muçulmanos, mas nunca de maneira depreciativa.


THE PRESIDENT CAKE-Vencedor do Prêmio do Juri da Mostra de Melhor Filme. No Iraque dos anos 1990, em meio à guerra e à falta de comida, o presidente Saddam Hussein determina que todas as escolas do país façam um bolo em homenagem ao seu aniversário. Lamia, de apenas 9 anos, tenta escapar da tarefa, mas acaba sendo escolhida entre os colegas. A menina precisa recorrer à sua criatividade para conseguir os ingredientes e cumprir a missão de preparar o bolo imposto pelas autoridades. Vencedor do prêmio Caméra d’Or para melhor filme de diretor estreante em Cannes e do prêmio do público da Quinzena dos Cineastas, também em Cannes. Encantador e potente. 

FELIZ ANIVERSÁRIO-Filme egípcio em que a pequena protagonista ganhou o prêmio de melhor atuação dos filmes da Mostra. Ela é Toha, que trabalha como empregada doméstica e enfrenta contratempos para garantir que sua melhor amiga, filha de sua patroa, tenha uma festa de aniversário em troca de uma simples vela para fazer um pedido. Sem nunca ter celebrado o próprio aniversário, Toha assume a organização da festa e torna a celebração possível. Quando tentam impedir Toha de comparecer à festa, sua presença indesejada acaba revelando a outra face da família. Melhor filme, direção e roteiro internacional no Festival de Tribeca.

O AGENTE SECRETO-Excelente produção de Kleber Mendonça Filho. Filme premiado em Cannes pela direção e atuação de Wagner Moura. Em 1977, em Pernambuco, Marcelo é um especialista em tecnologia de pouco mais de 40 anos que está em rota de fuga. Ele chega ao Recife durante a semana do Carnaval para reencontrar o filho e descobre que está jurado de morte. Há tanto a se falar dessa película excepcional que nem ouso resumir em poucas linhas. O filme ainda fará uma belíssima e merecidíssima carreira internacional e ganhará ainda muitos prêmios. Mais um belo acerto do diretor pernambucano e do ator baiano.


FOI APENAS UM ACIDENTE-Um grupo de pessoas organiza um plano de vingança contra um homem que eles acreditam ser seu ex-torturador. Tudo começa quando um mecânico acredita que reconheceu seu torturador pelo som da perna protética que ele ainda ouve nos seus pesadelos. Determinado a se vingar, ele busca ajuda de outros prisioneiros para descobrir se o homem é mesmo o agente que o destruiu emocional e fisicamente. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. O diretor e roteirista Jafar Panahi foi ovacionado pelas plateias que lotaram todas as sessões do filme na Mostra. Ele ficou anos proibido de deixar o Irã e já foi vencedor da Mostra em 1995. É o favorito para o próximo Oscar de filme internacional.

NO CAMINHO-Veneno é um jovem errante e rebelde que frequenta lanchonetes de beira de estrada e faz sexo pago com caminhoneiros. Precisando urgentemente de uma carona, ele conhece Muñeco, um motorista duro e reservado. Ele convence Muñeco a levá-lo para dentro do universo hiper-masculino das longas rotas de caminhão pelo norte do México. Porém, conforme a viagem avança e uma intimidade inesperada surge entre eles, questões do passado de Veneno reaparecem, colocando a vida dos dois em risco. Vencedor do prêmio de melhor filme da seção Horizontes e do Leão Queer no Festival de Veneza. O filme é bastante cru e ousado, com cenas explícitas de sexo sem qualquer traço de leveza ou sutileza. Espetacular.

WHITE SNOW-O jovem e idealista Amir tem seu curta proibido na remota região montanhosa da Caximira após a denúncia do líder religioso local. O grande “erro” foi mostrar o sangue depois do parto. Logo, Amir é preso sob a acusação de incitar agitação social. Sua mãe arrisca a própria vida determinada a realizar o sonho do filho: munida de uma pequena TV e um aparelho de DVD, parte rumo a aldeias distantes para exibir o filme. Resiliente, Fátima segue viagem, observando em silêncio a generosidade dos outros e as condições sociais e econômicas que encontra. O percurso exaustivo, as situações de desespero e os fracassos a destroem física e mentalmente. Até que um acontecimento inesperado e devastador a transforma e liberta.


A HISTÓRIA DO SOM-Um jovem e talentoso estudante de música, Lionel, em 1917, conhece David, um colega inglês num conservatório de Boston onde eles se aproximam pelo profundo amor que compartilham pela música folk popular. Ambos partem para uma viagem pelo interior do Maine para coletar canções folk tradicionais. Este encontro inesperado, o caso de amor que nasce dele e a música que coletam e preservam vão influenciar o curso da vida de Lionel muito além de sua própria consciência. Elenco de primeira com a dupla Paul Mescal (dos perfeitos Aftersun e Todos  Nós Desconhecidos) e Josh O’Connor (dos também maravilhosos Rivais e La Chimera). 

E MAIS ALGUÉM-Tommy é um jovem gay de 17 anos que passa o verão em um emprego entediante na marcenaria do pai. Sua vida se transforma repentinamente quando descobre mensagens sexuais trocadas entre o pai e outro homem por e-mail. Dividido entre a lealdade e a sinceridade, Tommy se vê diante de um dilema que ameaça destruir sua família. Com a crescente tensão e diversos segredos vindo à tona, ele é forçado a enfrentar verdades difíceis e a encarar uma nova e mais complexa visão sobre o amor e o compromisso. O diretor, de carisma e simpatia acachapantes estava na sessão em que assisti ao filme e exultava de emoção.  

SIRÂT-Pai e filho chegam a uma rave nas montanhas do Marrocos à procura da filha e irmã que desapareceu meses antes em uma dessas festas intermináveis. Cercados por música eletrônica e por uma sensação crua e desconhecida de liberdade, eles distribuem a foto da jovem na esperança de achá-la. Os dois seguem um grupo exótico de frequentadores rumo a uma última festa no deserto. Conforme avançam por esse cenário escaldante, a jornada os obriga a confrontar seus próprios limites. Vencedor do prêmio do júri no Festival de Cannes. O filme foi exibido juntamente com o curta-metragem "Como Fotografar um Fantasma" de Charlie Kaufman.

À PAISANA-Lucas é um jovem policial gay no armário que trabalha disfarçado num shopping para prender homens no banheiro por atentado ao pudor depois de seduzi-los até que conhece o padre casado Andrew (o belo ator britânico Russell Tovey, da série gay Looking). Esse vínculo secreto se intensifica enquanto a pressão da polícia para novas prisões aumenta, deixando Lucas dividido entre o dever e o desejo. Com o tempo se esgotando e o passado em seu encalço, a celebração de Ano-Novo em família vira um acerto de contas no qual tudo o que foi reprimido ameaça vir à tona. Vencedor do prêmio especial do júri para o elenco do filme do Festival de Sundance.

GARÇA AZUL-Na década de 1990, um casal com seus quatro filhos se muda para a Ilha de Vancouver, enquanto as dinâmicas internas vão sendo lentamente reveladas pelas experiências da filha caçula. Essa tentativa de recomeço da família é ameaçada pelo comportamento cada vez mais perigoso de Jeremy, o filho mais velho portador de uma condição mental semelhante a esquizofrenia. Vencedor do prêmio de melhor primeiro filme no Festival de Locarno e menção especial no Festival de San Sebastián. Quem já conviveu, como eu, com um parente com esquizofrenia entende perfeitamente bem o drama da família.

RIVERSTONE-Excelente filme do Sri Lanka mostrando como a polícia lida com suspeitos de terrorismo que são mortos sob custódia policial em suposta troca de tiros. O filme é um road movie em que três policiais transportam num carro um homem que será executado secretamente com promessas de possíveis promoções como incentivo. O filme discute as reflexões e preocupações dos policiais enquanto viajam para o assassinato de um suspeito com quem não têm absolutamente nenhum conflito pessoal. Vencedor dos prêmios de melhor roteiro e fotografia do Festival de Xangai.

RAINHA DO ALGODÃO-No Sudão, em uma vila de produtores de algodão, Nafisa é uma adolescente que cresceu ouvindo as histórias heróicas da luta contra os colonizadores britânicos, contadas por sua avó, matriarca do lugar. Com a chegada de um jovem empresário com um novo plano de desenvolvimento e algodão geneticamente modificado, Nafisa se vê no centro de um jogo de poder que determinará o futuro do local. Tomando consciência de sua própria força, ela tenta salvar os campos de algodão — e a si mesma —, em uma jornada que transformará para sempre sua vida e sua comunidade.

MASPALOMAS-Vicente, com 76 anos, assumiu sua homossexualidade e deixou esposa e filha aos 50, passando os últimos 25 anos feliz com seu companheiro em Maspalomas, nas Ilhas Canárias em uma série interminável de festas gays com muita orgia sexual em praias paradisíacas, mas quando sofre um derrame se depara com uma realidade inesperada: foi transferido para uma casa de repouso conservadora no País Basco. Ele decide não falar da sua orientação sexual e aos poucos retorna ao armário, renunciando a tudo que lutou tanto para conquistar. Vencedor do prêmio de melhor atuação, para José Ramón Soroiz, e do prêmio Sebastiane no Festival de San Sebastián.

UMA SEGUNDA VIDA- Elisabeth é uma americana com deficiência auditiva que vive em Paris e com o visto prestes a expirar e aceita um trabalho exaustivo como concierge de Airbnb para continuar na França. É então que conhece Elijah, um californiano de espírito livre. Contra a sua vontade, ela precisa atravessar Paris ao lado dele, justamente durante a complicada cerimônia de abertura das Olimpíadas. No elenco, o excelente ator britânico Alex Lawther, visto em ótimas atuações em O Jogo da Imitação e Black Mirror

ROSEMEAD-Numa corrida contra o tempo, uma mulher com câncer avançado vê seu mundo desmoronar ao descobrir as obsessões violentas de seu querido filho adolescente e ter que ir aos extremos para protegê-lo neste retrato de uma família sino-americana. Inspirado em fatos reais. Com a atriz Lucy Liu (Kill Bill e As Panteras) que vive o drama de estar próxima da morte, com o filho prestes a alcançar a maioridade e poder ser preso a qualquer momento sem qualquer parente para ajudar. Vencedor do prêmio do público no Festival de Locarno. 

URCHIN-Mike, um morador de rua em Londres, se vê preso em um ciclo de autodestruição enquanto tenta mudar de vida. Uma história crua e absurda sobre os estranhos padrões que nos impedem de seguir em frente. O filme retrata com crueza a vida dos viciados, ex-presidiários e desabrigados, bem como a boa qualidade do atendimento feito pelo sistema de seguro social britânico. Vencedor dos prêmios da crítica e de melhor ator, para Frank Dillane, na seção Um Certo Olhar do Festival de Cannes.

BLUE MOON-O lendário letrista gay Lorenz Hart, convivendo com uma crise criativa, está num bar de Nova Yorque enquanto seu antigo parceiro Richard Rodgers comemora a estreia triunfal de seu revolucionário musical “Oklahoma!”. Do diretor Richard Linklater, com seu ator fetiche Ethan Hawke (presente nos seus filmes Boyhood e a trilogia Antes do Amanhecer, Antes da Meia-Noite e Antes do Por do Sol). Vencedor do prêmio de melhor coadjuvante, para Andrew Scott (de Todos Nós Desconhecidos e Ripley) no Festival de Berlim. Só não gostei mais do filme pela sua excessiva verborragia, típico do diretor em todos os seus filmes, mas que aqui me incomodou um pouco talvez pelo cenário mais fechado.


CÃES-Um filme tipicamente argentino, o que sempre é sinal de qualidade de roteiro. Os Saldañas têm uma nova tarefa para aliviar o tédio do verão: cuidar da casa dos vizinhos que viajam de férias mas o desaparecimento do cachorro dos vizinhos desencadeia um confronto violento e de alta tensão psicológica entre essas duas famílias. Vencedor do prêmio de melhor atriz coadjuvante, para María Elena Pérez, no Festival de Cinema de Málaga.

SAUNA-Johan é um jovem que mantém todas as portas abertas quando se trata de amor e sexo. Ele é recepcionista em uma sauna gay de Copenhague, onde também vive encontros com os outros frequentadores. Ele aproveita sua sexualidade livremente em bares, festas e casos de uma só noite, mas quando conhece William, um homem trans, ele vivencia o amor. O relacionamento é colocado à prova, como costuma acontecer em uma sociedade com conceitos rígidos sobre gênero, amor e identidade. Imaginei que seria um filme que trataria da questão gay, mas fiquei bem impressionado sobre a relevância do debate sobre preconceitos entre gays e trans.

QUEERPANORAMA-Um jovem homem gay em Hong Kong se faz passar pelos diferentes homens com quem já fez sexo e leva essas novas personas para seus próximos encontros. Apenas fingindo ser outra pessoa ele consegue ser realmente ele mesmo. Achei muito interessante a questão da identidade e os diálogos em que os parceiros abordam suas experiências e expectativas pessoais. Uma boa história com ponto de vista criativo.

FRANKENSTEIN-Victor Frankenstein, cientista brilhante, dá vida a uma criatura em um experimento monstruoso que acaba levando à ruína tanto do criador quanto de sua trágica criação. Uma releitura do  clássico de Mary Shelley pelo diretor Guillermo del Toro. No elenco os atores Oscar Isaac, Christoph Waltz e Mia Goth. Inegavelmente, fotografia, figurino, desenho de som e cenografia são muito marcantes, mas não me agradou muito a opção do diretor de narrar o filme mesmo que seja uma boa ideia usar a versão do médico e da criatura mas ainda não vi necessidade de narração.

DRUNKEN NOODLES-Adnan, um jovem gay estudante de arte, chega a Nova York para cuidar de um apartamento durante o verão. Ele faz estágio em uma galeria que exibe a obra de um artista mais velho e pouco convencional que conheceu há algum tempo. Enquanto momentos do presente e do passado começam a se entrelaçar, uma série de encontros — tanto artísticos quanto eróticos — desestabilizam a realidade de seu cotidiano.

BUGONIA-Dois jovens obcecados por teorias da conspiração sequestram a poderosa CEO de uma grande empresa, convencidos de que ela é uma alienígena com a intenção de destruir o planeta Terra. Mais um filme do não convencional diretor grego Yorgos Lanthimos. Talvez este seja o filme menos estranho do diretor de Pobres Criaturas, A Favorita, O Lagosta, Tipos de Gentileza e O Sacrifício do Cervo Sagrado. Gostei mais da interpretação de Jesse Plemons do que Emma Stone. Não gostei tanto deste filme.

CIDADE SEM SONHO -Uma história sobre ciganos me atraiu para o filme por não ser algo que se vê frequentemente. Toni é um cigano de 15 anos que vive no maior assentamento irregular da Europa, nos arredores de Madri. Orgulhoso de pertencer à sua família de sucateiros, ele acompanha o avô por todos os lados. Mas, à medida que as demolições se aproximam do terreno onde moram, e com o avô disposto a tudo para permanecer ali, Toni terá de decidir o que deixar para trás e o que sacrificar. Vencedor de melhor roteiro na Semana da Crítica do Festival de Cannes.


DRACULA-Longuíssimo filme de quase 3 horas da Romênia. Uma mistura de histórias do passado e presente sobre o mito de Drácula: uma caça a vampiros, zumbis e Drácula interrompendo uma greve, um conto de ficção científica sobre o retorno de Vlad, o Empalador, uma adaptação da primeira novela romena sobre vampiros, um romance trágico, um conto popular vulgar, histórias kitsch geradas por inteligência artificial. Achei longo e chato com exagerado e fraco uso da IA. Primeiro filme romeno de que não gosto.

ATO NOTURNO-Um ator ambicioso e um político em ascensão vivem um caso gay em sigilo e descobrem ter fetiche por sexo em lugares públicos. À medida que se aproximam da fama, mais intenso se torna o desejo de se colocarem em risco. Filipe Matzembacher, Marcio Reolon são os diretores e estavam na sessão a que assisti ao filme. Já havia visto os filmes anteriores da dupla gaúcha (Tinta Bruta e Beira-Mar) sempre abordando o universo gay mas achei que a premissa dessa filme foi muito forçada.

RUAS DA GLÓRIA-Gabriel, um professor gay se muda de Recife para o Rio após a morte da avó querida. Assim que chega na cidade, se apaixona por Adriano, um misterioso garoto de programa uruguaio. Ele também faz novos amigos: uma mulher trans, dona de uma boate gay e sua trupe. Quando Adriano some, Gabriel começa uma jornada de investigação que o faz adentrar cada vez mais o mundo dos garotos de programa e da vida noturna das ruas da Glória. Inicialmente, achei a coreografia dos encontros sexuais muito boa, mas aos poucos foi se tornado repetitiva.

AURORA 15-Uma tentativa canhestra de fazer um filme brasileiro de terror. Praticamente todos os que vi do gênero falham miseravelmente. Um jovem casal prestes a assinar o contrato da casa dos sonhos recebe a invasão do local por um velho e sua filha adolescente seguidos de dois homens buscando matar a moça antes que anoiteça. Logo a noite logo chega e a menina já não possui mais a forma humana. Elenco global: Carolina Diecknann, Humberto Carrão, Juliano Cazarré, Marjorie Estiano e Milhem Cortaz. Não entendo como um filme tão ridículo consegue ter Rodrigo Teixeira da RT Features como produtor.


5.11.15

39ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

Mais uma Mostra Internacional de São Paulo chega ao final. A 39ª, mas a minha 14ª pois não tem programa marcado para outubro que substitua minha concepção de compromisso. Então, nenhum amigo resolva morrer ou se casar em outubro, pois estarei ocupado.

Como uma regra, novamente a Mostra premiou apenas filmes a que não assisti. Com mais de 300 opções, estou sempre escolhendo ver aqueles que os críticos não gostam ou eles só gostam dos que eu não vi ou não gostei.

Este ano não consegui bater minha maca de 51 filmes. Fiquei perto: 43. Destaco 3 obras primas e 3 bombas colossais. Duas delas produções brasileiras a que dou nota zero.



MEUS FAVORITOS: NOTA 10

DHEEPAN, O REFÚGIO - Produção francesa que venceu a Palma de Ouro no último festival de Cannes e que é dirigida por um dos melhores diretores europeus da atualidade, Jacques Audiard, que dirigiu os excepcionais A Ferrugem e o Osso e O Profeta. Aqui ele conta a história de um ex-soldado guerrilheiro do Sri Lanka que para escapar da guerra, foge para a França com uma jovem mulher e uma garota fingindo serr uma família. O trio acaba se estabelecendo em um projeto habitacional nos arredores de Paris. Eles mal se conhecem, mas tentarão construir uma vida juntos. O filme surpreende em três reviravoltas brilhantes na vida do protagonista.

DESDE ALLÁ - Coprodução da Venezuela e México e que venceu o Leão de Ouro no último festival de  Veneza. Um filme corajoso e que não teme falar de temas espinhosos e sem buscar ser politicamente correto. Conta a história tortuosa de Armando, um rico protético que atrai jovens de rua para sua casa com dinheiro. Ele não quer tocá-los, apenas observá-los para se masturbar. Ele também segue um empresário mais velho com quem parece ter tido uma relação traumática. O primeiro encontro de Armando com Elder, líder de uma gangue de rua, é violento, mas isso não diminui sua fascinação pelo belo adolescente. Interesses financeiros fazem com que o rapaz o visite com regularidade e uma intimidade inesperada surge entre eles. Mas o passado de Armando é motivo de preocupação, e Elder empreende o último ato de afeição por ele. Brilhante e doloroso.

SON OF SAUL - Um filme angustiante que venceu o grande prêmio do Júri do último festival de Cannes. Mostra 36 horas em 1944 em Auschwitz. Saul é um húngaro que integra o Sonderkommando, grupo de prisioneiros judeus forçados a ajudar os nazistas no extermínio em larga escala, trabalhando nos crematórios, Saul descobre o corpo de um garoto que acredita ser seu filho. Enquanto os membros do seu grupo planejam uma rebelião, Saul decide se lançar em uma tarefa impossível: salvar o corpo da criança das chamas, encontrar um rabino para rezar a oração do Kadish e dar ao menino um enterro apropriado. O grande destaque do filme, além do roteiro, é a opção da tela quadrada, reforçando a sensação de claustrofobia, e tomadas tendo apenas a perspectiva de Saul, ou tendo Saul sob perspectiva. Segundo críticos é a experiência mais aterrorizante que o cinema produziu em 2015. O diretor László Nemes declarou, apesar da consagração da crítica, que não espera sucesso comercial do seu filme, pois o público quer mesmo é comer pipoca e se divertir com "Velozes e Furiosos". Auschwitz não é Titanic, fuzila Nemes! Na mosca.

FILMES NOTA 9

MEMÓRIAS SECRETAS - Dirigido por um dos cineastas mais instigantes, o canadense de origem armênia Atom Egoyan, essa produção do Canadá e da Alemanha conta com os grandes Christopher Plummer, Martin Landau e Bruno Ganz no elenco e conta a história de Zev e seu melhor amigo, Max, que fazem um pacto para dedicar os últimos dias de suas vidas à conclusão de questões do passado: encontrar e se vingar do comandante nazista que matou suas famílias durante a guerra. Max está muito frágil para deixar o asilo, mas Zev, mesmo com Alzheimer, embarca em uma jornada para encontrar seu algoz. Um final que é uma obra prima do roteiro.

A ESTREITA FAIXA AMARELA - Produção mexicana do ótimo Guilhermo del Toro, o título do filme em espanhol é ainda mais belo:  “La Delgada Linea Amarilla” Um road movie clássico e perfeito que conta a história de cinco homens contratados para pintar a linha central de uma estrada que conecta duas cidades no México. Eles têm 15 dias para pintar 200 quilômetros debaixo de um sol escaldante. Os cinco homens solitários vão perceber que há uma fina linha entre o certo e o errado, entre risadas e choros, entre vida e morte. Um filme que nos primeiros minutos a gente pensa que não vai ter como sair uma boa história dali, na verdade parece que não vai sair história alguma, mas o filme cresce de um modo magistral. É perfeito. Uma obra prima.

ORAÇÃO DO AMOR SELVAGEM – Um filme brasileiro de baixo orçamento mas que consegue se sair muito bem apesar de uma direção de atores na minha opinião um pouco desleixada. Um dos personagens opta por uma interpretação quase caricatural, mas apesar disso o filme me agradou. Não sei porque dou 9, talvez não merecesse tanto mas vale muito pelas ótimas interpretações do sempre ótimo Chico Diaz e da excepcional Sandra Corveloni, que já foi premiada como melhor atriz em Cannes por Linha de Passe, de Walter Salles. A história real de um homem e sua filha pequena que desafiam os representantes das leis divinas no vilarejo onde vivem em Santa Catarina e partem em busca de liberdade. Mas o que poderia ser uma vida abençoada pela felicidade, torna-se um labirinto de ciúmes e violência. Só que nenhum deus pode impedir alguém de ser feliz. Um libelo contra a intolerância religiosa.

A JORNADA DE CHAKUSE – Uma divertidíssima comédia de fantasia japonesa com ótimos atores. Na vida após a morte, escritores ocupados estão criando cenários para a humanidade. O que eles escrevem dita o destino de todos. Chasuke, um servidor de chá celestial, está sempre fazendo o seu trabalho para garantir que os dramaturgos sigam em sua tarefa sem fim. Ele não pode evitar ouvir as conversas, e está especialmente interessado na história da jovem Yuri. Um comentário descuidado muda o destino dela em um acidente de carro fatal. Só Chasuke pode resgatá-la, voltando ao mundo físico.

NINGUÉM AMA NINGUÉM POR MAIS DE DOIS ANOS- Excelente filme nacional adaptação de textos de Nelson Rodrigues e perfeita reconstituição de época do Rio dos anos 60. O filme acompanha a vida de cinco casais, aparentemente convencionais, mas, na vida íntima, com as insatisfações e os desejos latentes fugindo do moralismo. Com ótimas atuações de Gabriela Duarte e Marcelo Faria.

FILMES NOTA 8

UMRIKA – Filme indiano protagonizado pelos atores adolescentes que se destacaram nos filmes As Aventuras de Pi e o Grande Hotel Budapeste. Mostra a vida numa pequena aldeia na Índia que se revigora quando um de seus habitantes viaja para a América (que eles chamam Umrika) e detalha sua jornada por meio de cartas, que provocam esperança e debate em seus conterrâneos. Quando essas mensagens param de chegar, Rama, irmão mais novo do aventureiro, decide sair em uma viagem para encontrá-lo. Com a ajuda de seu melhor amigo, Lalu, o rapaz refaz o trajeto do irmão para encontrar o seu próprio caminho.

O CULPADO – Filme alemão sobre abuso sexual e pedofilia na igreja. Um padre presencia seu colega e melhor amigo ser preso por suspeita de abuso sexual. O que ele descobre é como um teste crucial para sua fé e sua autoconsciência como sacerdote. Ele se revolta contra o silêncio dentro da Igreja e aprende uma lição: a Igreja é uma mãe e ninguém pode bater em sua mãe.

TERRA DE MINAS – Excelente coprodução da Dinamarca e Alemanha que conta episódios pouco conhecidos posteriores à rendição da Alemanha na 2ª Guerra, quando prisioneiros alemães são forçados a desarmar milhares de minas da costa do país. No comando do grupo está um sargento dinamarquês que, como muitos compatriotas, guarda rancor dos alemães após cinco anos de invasão. Ele desconta sua raiva nos prisioneiros até que um trágico acidente o faz mudar seu ponto de vista, mesmo que talvez seja tarde demais.

MAGALLANES- Filme vencedor do prêmio Cinema em Construção no último Festival San Sebastian na Espanha. Na capital do Peru, Magallanes reconhece uma passageira do seu táxi. Ela é uma jovem que ele conheceu há mais de 20 anos em circunstâncias completamente diferentes. Em busca de redenção, ele fará tudo o que puder para ajudá-la a superar a difícil situação pela qual está passando. O que ele não sabe é que ela prefere perder tudo a ser ajudada por ele.

10% MINHA FILHA-ISRAEL – Um filme lírico sobre o relacionamento entre Franny, de sete anos e Nico, de 28 anos, namorado de sua mãe. Para ficar com a mulher que ama, o rapaz tem que ganhar o coração da menina que o detesta. Eles precisam achar uma maneira de conviver, amar e odiar um ao outro. No filme, em nenhum momento é mostrada a mãe ou o pai da garota, apenas ela e Nico. 

A PARTEIRA – História real produzida pela Finlândia e Lituânia sobre a ocupação alemã na Lapônia, conflito entre Alemanha e a Finlândia no rescaldo da 2ª Guerra. Uma parteira finlandesa se apaixona por um oficial do serviço secreto alemão e por esse amor ela enfrenta seus próprios demônios e medos. Um filme que mostra que a força do amor é capaz de enfrentar todos os obstáculos. Imagens fortes do Holocausto judeu.

O NOME DO FILHO- Comédia italiana inteligente e divertidíssima que mostra um grupo de amigos de infância já adultos se reunindo para um jantar. O extrovertido corretor Paolo e a bela Simona, autora de um best-seller, estão esperando um filho. Em um jantar com um casal de esquerda, refinado e culto e um músico excêntrico, uma pergunta gera um debate que agitará a noite: o nome do bebê. Segredos íntimos e conflitos adormecidos são expostos em uma noite de catarse.

NOTA 7

ROSITA- Jovem pescador vice com seu pai, viúvo de meia-idade, em uma pequena cidade da Dinamarca. O pai sente falta do amor e do carinho de uma mulher e, assim como fizeram muitos homens da cidadezinha, providencia para que a bela jovem filipina Rosita seja enviada à Dinamarca. O filho se sente cada vez mais atraído pela nova companheira do pai e isto força o rapaz a assumir a responsabilidade por seus sonhos e por seu futuro.

KRISHA – Um bom filme americano tipicamente independente. Mostra o reencontro de uma família no feriado de Ação de Graças quando, após prolongada batalha contra o vício e a autodestruição, Krisha, a ovelha negra da família, volta para casa mas o encontro, que começa como uma comovente prova da capacidade que a família tem de perdoar, logo se transforma em um dilúvio emocional, com feridas e ressentimentos sendo expostos.

A JOVEM RAINHA – No século 17, a rainha Cristina da Suécia está determinada a modernizar seu país. Criada como um príncipe e sob uma rigorosa educação luterana, ela enfrenta resistência para acabar com a sangrenta Guerra dos Trinta Anos, entre protestantes e católicos. Ela se apaixona por sua dama de companhia e toma uma das decisões mais controversas da história. O personagem já foi retratado no cinema por Greta Garbo em 1933.

NOTA 6


AFERIM – Filme em preto e branco retrata a Romênia do século 19. Um policial e seu filho atravessam o país em busca de um escravo cigano foragido. O filme venceu o Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim e mostra como os ciganos sofreram uma brutal perseguição em um regime de servidão cruel na Europa.

BEIRA MAR- Filme brasileiro que mostra um fim de semana de dois adolescentes imersos em um universo próprio. Alternando entre distrações corriqueiras e reflexões sobre suas vidas e sua amizade, os garotos se abrigam em uma casa de vidro, à beira de um mar frio e revolto. Um filme sobre descobertas do amor na adolescência.

CRUEL-Filme francês que aborda a vida de um serial killer que trabalha meio período e vive em uma casa velha com o pai doente. Todos desconhecem sua existência. Suas vítimas são pessoas comuns. Homens e mulheres que vivem, trabalham e sofrem lado a lado, porém nunca de fato juntos, e que formam uma multidão perdida na cidade grande.

NOTA 5

GRANDE PAI, PEQUENO PAI E OUTRAS HISTÓRIAS- Produção do Vietnã. Saigon, início dos anos 2000. Um estudante de fotografia se sente atraído por seu companheiro de quarto, um pequeno traficante. Juntamente com uma dançarina, e os três desenvolvem uma relação cada vez mais ambígua. O filme não deslancha e apesar de boas cenas, se arrasta.


JONAS- Filme brasileiro protagonizado por Jesuíta Barbosa, novo queridinho do cinema nacional, com participação do cantor Criolo. Jonas tem uma paixão de infância pela filha da patroa de sua mãe. Na véspera do Carnaval, ele a sequestre e esconda no interior da baleia, carro alegórico da escola de samba do bairro. Nesse cativeiro, vivem uma história de amor impossível e ele é obrigado a negociar o sequestro, ajudado pelo irmão de 13 anos.

PERVERT PARK- Documentário americano sobre a experiência da Flórida Justice Transitions centro habitacional para 120 condenados por crimes sexuais. Essas pessoas não podem viver próximas de lugares frequentados por crianças. A comunidade retratada no documentário, conhecida também como “Pervert Park” é um exemplo do modo como a sociedade lida com os criminosos sexuais. Achei a visão do filme um pouco parcial

A FLORESTA QUE SE MOVE- O filme é uma interpretação de Macbeth, mas não consegue trazer nada de novo. Filme com cara de produção da Globo, excessivamente limpo, com produção e cenários elegantíssimos e atores globais como Ana Paula Arósio, Gabriel Braga Nunes, Ângelo Antônio e Nelson Xavier. O canastrão Fernando Alves Pinto fazendo suas caretas insuportáveis de sempre.

COMO GANAR ENEMIGOS- Filme argentino que não é, assim uma Brastemp, como costumam ser os filmes argentinos mas é divertido. Poderia ser mais bem resolvido. Certa tarde, Lucas conhece a mulher ideal: linda e leitora. Infelizmente, ela é uma ladra, e ele, uma de suas vítimas. Lucas acredita que alguém de seu entorno foi cúmplice do roubo e não vai descansar antes de descobrir.

NOTA 4

PARA O OUTRO LADO- Filme arrastado e chatinho. Esperava mais porque já havia assistido ao filme anterior do diretor japonês Kiyoshi Kurosawa (Sonata de Tóquio) e por ter sido vencedor do prêmio de direção da mostra Um Certo Olhar de Cannes. Yusuke, marido de Mizuki, afogou-se há três anos e repentinamente volta para casa. Ela, então, aceita ser levada por Yusuke em uma jornada inusitada.

TÚMULOS E OSSOS- Filme de terror islandês. Fui ver pelo inusitado. Nunca havia visto um filme com essa temática da Islândia, mas me decepcionei. Roteiro fraco e não assusta nem criancinha. Na sessão da tarde tem coisa mais forte. A história de um casal que vai cuidar da sobrinha após o suicídio dos seus pais. Com a chegada do casal, coisas estranhas começam a acontecer na casa da menina. Chato.

VOLTANDO PARA CASA- Filme da Noruega sobre uma família disfuncional com uma mãe depressiva e um pai que acaba de voltar da Guerra do Afeganistão. O filho mais velho assume a responsabilidade pelo mais novo quando o pai desaparece durante uma caçada nas montanhas geladas e os irmãos são forçados a procurar seu pai ausente.

PRÍNCIPE- Filme holandês que mostra um adolescente tímido e franzino, crescendo no extremo do submundo do crime. Ele é completamente louco pela a menina mais bonita da vizinhança, mas ela namora o jovem mais perigoso da cidade. O rapaz luta para conquistar o coração de Laura, mas antes que ele possa ser um príncipe ele precisa aprender a ser um homem.

O APÓSTATA- Filme espanhol sobre um jovem que deseja ter seu nome retirado do registro de batismos da Igreja Católica. O filme se arrasta e não chega a lugar algum apesar do tema interessante. A Igreja espanhola é refratária à apostasia. 

O RIO SEM FIM- Filme que é uma coprodução da França e da África do Sul. Após quatro anos de prisão o marido de uma garçonete volta para casa, mas quando a família de um estrangeiro é assassinada brutalmente, a garçonete e o viúvo começam a gravitar em direção ao outro. Presos em um ciclo de violência e sangue, os dois tentam transcender a raiva, a dor e a solidão.

BIZARRE - Maurice é um jovem francês de 18 anos com um passado turbulento que acaba de chegar ao Brooklyn e não tem amigos nem lugar para ficar. Em um encontro casual, o jovem é levado por duas belas jovens e ganha um quarto, alimentação e emprego no Bizarre, um famoso cabaré do submundo nova-iorquino. Lá, ele começa a formar uma nova família. Cenas bonitas dos belos jovens e também imagens chocantes do submundo dos shows de bizarrices do bar. Poderia ser melhor mas claramente o diretor se encantou pelo protagonista e as imagens do belo jovem são tão reiterativas que estragam o filme.

NOTA 3


APENAS JIM- Um filme britânico que poderia ser melhor e que tem no elenco o ótimo Emile Hirsch, além do jovem protagonista-diretor e roteirista de 24 anos Craig Roberts. Jim não é um garoto popular. Seu único amigo o abandonou para se unir à turma dos alunos descolados e a garota por quem está apaixonado nem sabe seu nome. Tudo muda quando um americano misterioso com aparência de galã de cinema muda-se para a casa ao lado, mas Jim é forçado a se questionar se a sua recém-adquirida popularidade vale a pena.

A BRUXA- Um filme produzido por um brasileiro e que recebeu muitos elogios na imprensa, ao ponto de filas enormes se formarem, mas que foi uma decepção. Uma história que poderia ser mais assustadora. Na Nova Inglaterra, 1630, um agricultor ameaçado de excomunhão tem que se mudar com esposa e cinco filhos para um terreno remoto no limite de uma floresta onde se esconde um mal desconhecido. Mortes, bruxarias e mais do mesmo.


NOTA 2

BOAS COISAS NOS AGUARDAM- Documentário dinamarquês sobre o último fazendeiro idealista da Dinamarca. Seu trabalho não é popular entre as autoridades que ameaçam tirar sua licença.





HERA – Filme turco que mostra o desgaste de uma tripulação presa em um navio há meses sem pagamento. Ancorado em uma área isolada, o navio é evacuado, mas seis membros da equipe devem permanecer ali até que a dívida seja paga. Conforme o tempo passa e o estoque de comida diminui, a tensão entre os homens aumenta.

DAVID- Filme da República Tcheca. Aos 20 anos, David está cada vez mais ciente de como sua deficiência intelectual influencia o comportamento de seus pais. Por isso, decide deixar sua casa e fugir para Praga. Em sua jornada, enfrenta a solidão, situações inesperadas e, principalmente, seus próprios pensamentos.


NOTA 1

A ANOS LUZ- Filme inglês chato e arrastado mostra uma família ao longo de um dia, como uma mãe internada num hospital psiquiátrico, um pai ausente e três filhos dispersos com medo de terem a doença da mãe.

VOLTA À TERRA – Documentário português sobre uma pequena comunidade em extinção: os camponeses que praticam agricultura de subsistência.





NOTA 0

RALÉ- Filme com Ney Matogrosso no elenco e direção de Helena Ignes, viúva do cineasta Rogério Sganzella. Fiquei envergonhado, pois Ney Matogrosso estava no cinema atrás de mim e o filme é uma bomba colossal. O roteiro é totalmente vago, a montagem é ridícula, as atuações fraquíssimas e a história é uma bosta. Por falar em bosta há uma cena absurda do diretor José Celso Martinez todo cagado e Ney Matogrosso limpando-o. Não me lembro de ter assistido a nada tão ruim na vida.



MATE-ME POR FAVOR- Outro filme brasileiro péssimo que mostra a Barra da Tijuca passando por uma onda de assassinatos e uma curiosidade mórbida dos jovens habitantes. Ridículo é o termo exato para falar desse filme.




BEM-VINDO AO CLUBE- Filme alemão que me fez dormir metade do tempo e que mostra uma atriz maníaco-depressiva que se hospeda em um “hotel de suicídio” que oferece várias opções de suicídio e promete privacidade total.