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2.6.25

22 LIVROS LIDOS DE JANEIRO A MAIO DE 2025

 


Há 7 anos, publico breves resenhas dos livros lidos durante o ano e divido as postagens em três blocos: Janeiro a Maio, Junho a Setembro e Outubro a Dezembro.

Aqui estão os 22 lidos de Janeiro a Maio deste ano. Esse número ficou na média dos lidos nos mesmos cinco primeiros meses dos últimos anos (27 em 2019; 22 em 2020; 20 em 2021; 21 em 2022; 14 em 2023 e 16 em 2024).


1 - O INSTITUTO – Este foi o 49º livro que li do mestre do terror Stephen King. A obra de 554 páginas tem como vilã não uma pessoa ou entidade, mas um instituto que sequestra crianças com dons de telecinese e telepatia. Nesse local, as crianças sofrem torturas e abusos físicos e mentais. Ficamos sufocados com o nível de maldade que os funcionários do tal Instituto são capazes. Novamente temos o mestre fazendo uma das coisas que faz de melhor: escrever sob o ponto de vista de crianças.
 
 
2- O VALE DO MEDO – Resolvi ler todos os livros escritos pelo autor Sir Arthur Conan Doyle tendo como personagem o mais famoso detetive da literatura: Sherlock Holmes. Já li sete dos nove livros que o autor lançou, entre eles: Um Estudo em Vermelho, O Signo dos Quatro, O Cão dos Baskeville e O Vale do Medo. Neste último romance escrito (os dois volumes seguintes são de contos), Holmes e seu inseparável narrador, o doutor Watson, investigam um assassinato no interior da Inglaterra e somos remetidos à Pensilvânia de 1880 e a um cenário de violência e corrupção comandado por uma organização criminosa secreta de operários de uma mina de carvão.
 
3- UM HOMEM POR INTEIRO – De Tom Wolfe – Segundo livro que li do autor após o excelente A Fogueira das Vaidades, já adaptado para o cinema nos anos 90 pelo diretor Brian de Palma. Aqui, o autor, considerado um expoente do chamado New Journalism americano, em mais der 650 páginas, constrói (e destrói) a figura do bilionário escroque Charles Croker que numa Atlanta do fim dos anos 90 vê seu império ameaçado por poderosos interesses tão inescrupulosos quanto os dele. Foi recentemente adaptada para uma série pela Neflix com Jeff Daniels no papel principal.
 


4 - OS PERSAS – A ERA DOS GRANDES REIS Primeiro livro que li do autor galês Lloyd Llewellyn-Jones, renomado professor de estudos sobre o Irã. Uma fascinante história da Pérsia e seus reis sob o ponto de vista dos próprios persas já que tudo o que sabemos do seu grande império veio por intermédio de escritores gregos como Heródoto. Não havia ainda uma história dos persas baseada em fontes originais que buscasse reconstituir a glória de sua cultura e organização. Um novo olhar sobre reis como Ciro, Xerxes e Dario com detalhes das guerras e curiosidades sobre modo de vida em cidades como Babilônia, Persépolis e Passárgada, passando pela conquista do império por Alexandre. 
 
5 - MOLL FLANDERS – “As aventuras e desventuras da famosa Moll Flanders & Cia. Que nasceu na prisão de Newgate, e ao longo de uma vida de contínuas peripécias, que durou três vintenas de anos, sem considerarmos sua infância, foi por doze anos prostituta, por doze anos ladra, casou-se cinco vezes (uma das quais com o próprio irmão), foi deportada por oito anos para a Virgínia e, enfim, enriqueceu, viveu honestamente e morreu como penitente. Escrito com base em suas próprias memórias”. Com esse impressionante subtítulo, este livro de Daniel Defoe foi publicado em 1722. É surpreendente que um livro escrito no século XVIII por um homem e sobre um tema tão delicado, tenha feito sucesso sem fazer um julgamento moral da personagem.
 
 
6- TREZE CONTOS DE TCHEKHOV – Mais um livro de contos que leio do autor russo Anton Tchekhov, considerado unanimemente como um dos maiores contistas da Literatura. Alguns eu já havia lido em outras coletânias. Aqui temos "História alegre", "A feiticeira", "Fatalidade", "Pesadelo", "Anyuta", "Réquiem", "Um belo tumulto", "O marido", "O caso do champanhe", "Mártires", "O professor de literatura", "O bispo" e "O duelo". Médico, dramaturgo e escritor russo, Tchekhov influenciou diversos artistas modernos com contos que expressam excepcional percepção da condição humana e das relações sociais. Aqui, algumas das suas obras-primas que passeiam entre o cômico e o trágico.
 
 

7- COMO E POR QUE LER
– Há tempos queria ler um livro do famoso crítico literário Harold Bloom. Escrito numa linguagem acessível, Bloom aponta o caminho ideal para o leitor se envolver com as diversas formas literárias e penetrar no mundo criado por escritores como Hemingway, Jane Austen, Dickens, Proust, Dostoievski, Oscar Wilde e, acima de todos, Shakespeare. Ele deixa dicas importantes para quem escreve, como livrar a mente dos chavões profissionais e resgatar a ironia: “Uma vez destituída de ironia, a leitura perde o propósito e a capacidade de surpreender”
 
 
8- POR QUE NÃO PEDIRAM A EVANS ? – É sempre excelente retornar aos livros da Dama do Crime, a autora de quem mais livros li. Aqui temos uma história sem os seus famosos detetives Hercule Poirot e Miss Marple, personagens queridinhos dos leitores. Numa tarde comum do litoral inglês, durante um jogo de golfe, Bobby encontra um homem moribundo, que antes de morrer faz uma pergunta estranha: "Por que não pediram a Evans?". A única pista é a foto de uma jovem na carteira do morto. A partir dessa cena, Bobby e sua amiga Frances Derwent decidem desvendar o enigma que os levará a um quebra-cabeças envolvendo golpes e tramoias perigosas. Agatha Christie sempre consegue surpreender.
 
9 - UM PASSE DE MÁGICA – Mais um livro que li de Agatha Christie dessa vez voltando a ter a queridíssima Miss Marple desvendando um crime. Amiga de infância das irmãs Ruth e Carrie Louise, Miss Marple é chamada por Ruth para investigar os problemas e perigos que a sua irmã estaria correndo em uma mansão repleta de familiares de diversos casamentos e que virou um centro de reabilitação para meninos delinquentes. Após três crimes na casa, Miss Marple resolve o mistério antes que sua amiga seja a próxima vítima. Curiosamente, este foi um dos raros livros da autora que eu desconfiei de cara sobre quem era o assassino.

 
10- 
OS QUATRO GRANDES - Terceiro livro de Agatha Christie que li nestes primeiros meses de 2025. Aqui temos de volta o detetive belga Hercule Poirot que junto ao seu inseparável amigo Hastings são surpreendidos por um homem à beira da morte que denuncia a Poirot um complô internacional de autoria de um chinês um multimilionário norte-americano, uma cientista francesa, e "O Destruidor" Na maior investigação de sua carreira para derrotar essa grande organização, Poirot terá que sacrificar o seu bem mais precioso: seu bigode! O livro poderia ser um pouco mais bem amarrado e isso de deve ao fato de ele ser sido editado a partir de contos anteriormente publicados em um jornal e reunidos de modo um pouco forçado para formar uma história mais ou menos coesa. Algumas pontas soltas ficam evidentes.
 
11- NADANDO NO ESCURO- Primeiro e espetacular livro do jovem autor alemão Tomasz Jedrowski em que ele mescla política e afetos na história de Ludwik e Janusz  dois homens jovens entrelaçados em uma paixão muito maior do que a onda de intolerância e violência que assolou a Polônia em 1980. Livro emocionante e complexo entre duas pessoas em diferentes lados de uma história conturbada. Tristíssimo e lindo, ainda mais com diversas referências a um dos meus livros e autores favoritos, Giovanni, de James Baldwin, que aqui funciona como verdadeiro eco dos dilemas amorosos de dois rapazes lutando ingloriamente contra todo um sistema para fazer valer o seu amor.
 

 
12- PERSUASÃO – Quinto livro que li da excepcional Jane Austen após Orgulho e Preconceito, Razão e Sensibilidade, A Abadia de Northanger e Mansfield Park. Aqui temos mais uma das heroínas de Austen, na figura de Anne Elliot, a sagaz e equilibradíssima filha de um vaidoso baronete que se apaixona por um jovem sem fortuna ou contatos. No passado, Anne sacrificou seu amor por conveniências e se fechou para novos relacionamentos, mas anos depois, o destino faz os dois jovens se reencontrarem dando a Anne uma segunda oportunidade de tentar a felicidade. Ambientado na Inglaterra rural do século XIX, no último romance de Jane Austen a escritora revela sua maturidade literária.
 
 
13- ÓRFÃOS DO ELDORADO – Quarto livro que li do escritor amazonense Milton Hatoum após suas obras Dois Irmãos, Relato de um Certo Oriente e A Cidade Ilhada. Aqui, temos a história de Arminto Cordovil e seu amor por Dinaura que o arrebata afastando-o da riqueza derivada do trabalho de uma vida do seu pai empresário de navegação e exploração da borracha. Arminto destrói tudo que o pai construiu ao longo das décadas pelo amor da órfã filha da floresta.
Dinaura leva com ela as incertezas, a racionalidade de Arminto que a busca, por toda a vida, até a esperada entrada no Eldorado, seu idílio representado pelo amor romântico e pela harmonia filial. Os três livros anteriores que li do autor já foram adaptados para as telas. 
 
14 - O CONDE DE MONTE CRISTO – Considerada uma das obras primas da Literatura mundial, esta monumental obra de Alexandre Dumas, com mais de 1.300 paginas e várias vezes adaptada para o cinema, é um tratado sobre a vingança numa trama protagonizada pelo jovem marinheiro Edmond Dantés, preso injustamente e vítima de um complô. Muitos anos depois, Edmond escapa cinematograficamente da prisão, toma posse de um magnífico tesouro escondido e planeja uma vingança. A obra foi originalmente publicada em capítulos em um jornal francês e obteve gigantesco sucesso elevando Dumas aos píncaros da fama. Com uma coleção de personagens sórdidos e carismáticos e apesar do imenso número de páginas, a leitura jamais é cansativa.
 
 
15- O SEGREDO DO MEU MARIDO – Primeiro livro que li da autora australiana Liane Moriarty que se tornou famosa após a elogiada adaptação pela HBO do seu livro Big Little Lies. Aqui, a autora aborda seu universo favorito: amizades e conflitos entre mulheres. O livro alcançou o 1º lugar na lista dos mais vendidos do New York Times duas semanas após seu lançamento e seus direitos de adaptação para as telas já foram adquiridos. História de três mulheres, entre elas, Cecilia, que tem três filhas perfeitas, um marido adorado e uma vida organizada que será profundamente abalada ao encontrar uma carta escrita pelo marido ainda vivo e que só deve ser lida após sua morte. Um livro com um desenvolvimento surpreendente mas que tem uma capa medonha.
 

16- 
AS CRUZADAS VISTAS PELOS ÁRABES – Do autor libanês Amin Maalouf. Sou fascinado pelas Cruzadas e quase todas as histórias sobre elas foram publicadas ao longo dos séculos sob o ponto de vista cristão e ocidental. É raríssimo encontrar um livro que conte a invasão cristã aos países do oriente médio sob a ótica dos árabes. Os cristãos permaneceram por dois séculos na Terra Santa, saqueando e massacrando para a glória de seu deus. Esta bárbara incursão do Ocidente no coração do mundo muçulmano marca o início de um longo período de decadência e obscurantismo. Ainda hoje é sentida, no Islã, como a pior das violações.
 
17- ISABEL DE CASTELA – A Primeira Grande Rainha da Europa. Primeiro livro que li do historiador Giles Tremlett. Isabel foi a monarca mais relevante de toda a História. Seu reinado começou quando ainda nem existia o país Espanha. O livro de mais de 600 páginas acompanha desde a luta de Isabel para substituir os dois irmãos no trono, passando por guerras civis, o casamento com o poderoso rei Fernando de Aragão, enfrentando também o preconceito por ser uma mulher. Em seguida vemos sua guerra contra os mouros que ocupavam parte do país por 700 anos, o financiamento da conquista da América por Colombo, a Inquisição com suas torturas, a expulsão dos judeus e mouros da Espanha e muito mais. O autor faz com que o leitor se sinta dentro da história.
 
18 e 19 - O MISTÉRIO DE MARIE ROGÊT e A CARTA ROUBADA – de Edgar Allan Poe – Aqui estão os dois últimos contos de Poe tendo como personagem o inconfundível detetive Dupin, sobre quem eu só havia lido o famosíssimo Os Crimes da Rua Morgue. Dupin demonstra novamente sua assustadora capacidade de dedução para desvendar um assassinato utilizando apenas notícias publicadas nos jornais da época sem sequer sair de casa. O conto pode parecer cansativo pela repetição das contradições dos jornais. Poe escreveu a partir do assassinato de Mary Cecilia Rogers, um crime real nunca solucionado, que aconteceu em 1841 em Nova Iorque que ele transferiu para Paris.

Na Carta Roubada, diferente de O Mistério de Marie Rogêt e Os Crimes da Rua Morgue, não há um assassinato, mas justamente o que diz o título, uma carta roubada em que o detetive Chevalier Auguste Dupin, com sua incrível lógica e capacidade de raciocínio analítico, descobre o esconderijo de uma importantíssima carta roubada a partir do conhecimento dos mecanismos de pensamento do autor do roubo. Esse personagem foi tão importante para a literatura policial que originou simplesmente os detetives Poirot de Agatha Christie e Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle.

 
 
20- O REI PESTE, O RETRATO OVAL e A QUEDA DA CADA DE USHER – Três contos clássicos de Edgar Allan Poe com características sobrenaturais. 
O Rei Peste se passa na Inglaterra da Idade Média durante o reinado de Eduardo III. Dois marinheiros bêbados e descritos de modo ridículo, ao fugirem de uma dona de um bar, entram em uma casa abandonada durante uma praga em Londres e encontram uma corte bizarra liderada pelo Rei Peste e sua comitiva grotesca, resultando em eventos estranhos e sombriamente engraçados. Narrativa intrigante que mescla horror com humor.

21- O RETRATO OVAL - C
onto sombrio como é comum nos escritos de Poe sobre um homem ferido que passa a noite num quarto de um castelo onde se impressiona com o retrato de uma bela mulher. Ao pesquisar a respeito, descobre que o marido, pintor apaixonado, resolveu retratar a amada por tanto tempo que não percebeu que ela ficou doente e definhou até a morte.
 
22- A QUEDA DA CADA DE USHER – Conto que já foi adaptado mais de uma vez para o cinema.
Além de ser uma das suas obras mais conhecidas, é uma síntese do estilo literário de Edgar Allan Poe: ambiente decadente, tempestades, personagens perturbados, mulheres frágeis e acontecimentos sobrenaturais. Narrado por um homem que vai passar um tempo na mansão de seu amigo e lá encontra um o ambiente assustador envolvendo os mistérios que ligam a mansão aos seus moradores mórbidos. Logo nas primeiras linhas, o leitor já sabe que vai encontrar problemas para o narrador: “Durante todo um dia pesado, escuro e mudo de outono, em que nuvens baixas amontoavam-se opressivamente no céu, eu percorri a cavalo um trecho de campo de tristeza singular, e finalmente me encontrei, quando as sombras da noite se avizinhavam, à vista da melancólica Casa de Usher. Não sei como foi – mas, ao primeiro olhar que lancei à construção, uma sensação de insuportável angústia invadiu meu espírito.”

26.9.22

LEITURAS DE JUNHO A SETEMBRO



A cada ano publico a lista de livros lidos entre Janeiro a Maio, Junho a Setembro e Outubro a Dezembro. A primeira parte dos lidos deste ano já está publicada aqui no blog. Foram 21 lidos nos primeiros cinco meses do ano e outros 21 nessa segunda parte do ano, totalizando 42. Foram 18 físicos e 24 e-books.

Tenho procurado ler mais livros de autoras mulheres e finalizei as duas partes desse ano com a leitura de 10 livros das escritoras: Mary Shelley (Frankenstein),  Jane Austen (Mansfield Park), Lisa Hilton (Elizabeth I), Léa Messina (100 Autores Que Você Precisa Ler), Philippa Gregory (A Filha do Fazedor de Reis), Shirley Jackson (A Assombração da Casa da Colina), Margaret Atwood (Os Testamentos), Virginia Woolf (Rumo ao Farol), Harper Lee (Vá, Coloque um Vigia) e Liane Moriarty (Pequenas Grandes Mentiras).

Eis os 21 lidos de Junho a Setembro.


1
-UM HOMEM SÓ - Clássico da literatura moderna de Christopher Isherwood, aborda o envelhecimento e a solidão de um homem gay, um professor inglês na Califórnia dos anos 1960 após a morte trágica de seu jovem parceiro.  Publicado pela primeira vez em 1964, o livro chocou leitores com seu retrato franco de um homem gay na maturidade.  Uma narrativa comovente sobre amor e solidão com prefácio do escritor e ativista João Silvério Trevisan. Foi adaptado para o cinema com Colin Firth (indicado ao Oscar pelo papel) e Julianne Moore no elenco. Escrevi um texto inteiro sobre o livro no blog.

2-NO CAMINHO DE SWAN- Livro inicial da colossal empreitada de 7 volumes da série Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust.  Obra prima que todos deveriam ler um dia na vida, mas que são difíceis pela complexidade do tema e do estilo. Li para poder ler o capítulo sobre ele da obra Lições de Literatura, de Vladimir Nabokov (texto abaixo), o que foi um excelente motivo para começar a ler Proust que cria dezenas de personagens e ambientes da França do início do século XX e trata da memória como visão filosófica do tempo com as recordações intercalando o passado e o presente, o que tornou-se uma revolução para o romance em todos os  tempos.

3-LIÇÕES DE LITERATURA - O autor russo Vladimir Nabokov, após migrar da Rússia para os EUA ensinou literatura em universidades antes do sucesso do seu livro Lolita.  Os manuscritos das suas aulas foram publicados em dois volumes e neste ele examina os clássicos Mansfield Park (Jane Austen), A Casa Soturna (Charles Dickens), O Médico e o Monstro (Robert Louis Stevenson) e No Caminho de Swann (Marcel Proust). Li os quatro livros para poder ler depois os capítulos sobre eles. Nabokov também analisa Madame Bovary (Gustave Flaubert) e A Metamorfose (Franz Kafka), que eu já havia lido antes, além  de Ulysses, de James Joyce, livro para o qual ainda não reuni coragem suficiente para ler.

4-NÓS - Escrito pelo dissidente russo Iêvgueni Zamiátin, esta é a distopia original que inspirou os clássicos: Admirável Mundo Novo, 1984, Laranja Mecânica, Fahrenheit 451, O Conto da Aia e Jogos Vorazes. Relançado no Brasil após ter estado esgotado por anos, em uma edição de luxo, acompanhada de resenha escrita por George Orwell e uma carta do próprio autor a Stálin pedindo para sair da União Soviética, onde todas as suas publicações estavam sofrendo perseguição política. O livro descreve um governo totalitário que privou a população de direitos fundamentais como individualidade e liberdade de expressão até que um engenheiro começa a duvidar das suas convicções ao conhecer uma mulher que o contamina com a doença chamada imaginação.

5-UM ESTUDO EM VERMELHO- Primeiro livro de Arthur Conan Doyle em que o autor introduz o detetive mais popular da literatura mundial Sherlock Holmes. Publicado em 1887, nessa primeira história, Holmes conhece seu melhor amigo Watson. A polícia de Londres pede auxílio a Holmes para desvendar um crime: um homem é encontrado morto, sem ferimentos e cercado de manchas de sangue com expressão de pavor no rosto. Na segunda parte do livro é apresentada a curiosa vida dos Mórmons no interior dos EUA e os motivos iniciais que levaram o assassino a cometer o crime.

6-O SINAL DOS QUATRO – Segundo volume das histórias do Sherlock Homes, também encontrado com o título de O Signo dos Quatro, traz o famoso detetive como sempre autoconfiante e atraído pelas agruras da cliente Mary Morsan, uma bela mulher atormentada por um passado nebuloso. O curioso é que Watson conhece nessa história a futura esposa que irá aparecer nos livros seguintes. Aqui encontramos uma aventura cheia de elementos dramáticos, uma caça ao tesouro com direito a um pigmeu e um pirata com perna de pau, terminando em uma caçada desesperada com perseguição de barco pelo Tâmisa. Aqui vemos Holmes lutando contra o seu vício em cocaína.

7-AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES Terceiro volume das histórias de Arthur Conan Doyle, esse livro reúne os doze primeiros contos de Sherlock Holmes, publicados originalmente com enorme sucesso na década de 1890 na revista britânica Strand Magazine. Entre esses contos estão as histórias mais conhecidas como A Liga dos Cabeças Vermelhas, Escândalo na Boêmia, O Diadema de Berilos e A Banda Malhada. Uma ótima maneira de se aventurar junto com o famoso detetive de Baker Street por histórias mais rápidas mas igualmente instigantes.

8-MEMÓRIAS DE SHERLOCK HOLMES - Outro livro de contos de Holmes, assim como o anterior, com doze histórias entre elas Silver Blaze (sobre o desaparecimento de um cavalo de corrida), A Caixa de Papelão (sobre uma caixa misteriosa contendo duas orelhas), O Ritual Musgrave (sobre o desaparecimento o mordomo de um amigo de Holmes), O Intérprete Grego (envolvendo um poliglota grego e sequestro onde pela primeira vez aparece Mycroft, o irmão mais velho de Holmes) e O Problema Final (na qual Doyle, cansado do detetive, mata Holmes. Depois ele o “ressuscitaria” devido à insistência dos fãs e da editora. Aqui conhecemos o Professor Moriarty famoso arqui-inimigo de Holmes).

9-A FILHA DO FAZEDOR DE REIS – Primeiro livro que li da autora Philippa Gregory, famosa pelos romances históricos adaptados para as telas.  Quarto livro da autora sobre a Guerra das Duas Rosas (já li vários livros sobre o tema e nunca me canso deles). Novamente uma protagonista feminina: a filha do Conde de Warwick, o conhecido “Fazedor de Reis”, o homem mais poderoso da Inglaterra no século XV. Sua filha Anne se torna uma mulher corajosa ao acompanhar o pai numa guerra contra o rei da Inglaterra que pôs o herdeiro de Henrique VI no trono, com quem Anne é casada. Após a morte do rei, ela se casa com o futuro rei Ricardo III, assassino do seu ex-marido.

10-ASSOMBRAÇÃO DA CASA DA COLINA - Primeiro livro que li de Shirley Jackson e considerado um clássico de histórias de casas mal assombradas. Tenho que dar razão a Stephen King que afirmou: “Essa é a história de casa mal-assombrada mais próxima da perfeição que eu já li.” Adaptado pela Netflix na série A Maldição de Hill House. “A Casa da Colina, desprovida de sanidade, se erguia solitária contra os montes, aprisionando as trevas em seu interior; estava desse jeito havia oitenta anos e talvez continuasse por mais oitenta. Lá dentro, paredes continuavam de pé, tijolos se juntavam com perfeição, assoalhos estavam firmes e portas estavam sensatamente fechadas; o silêncio se escorava com equilíbrio na madeira e nas pedras da Casa da Colina, e o que entrasse ali, entrava sozinho”.

11-AS CZARINAS, AS MULHERES QUE FIZERAM A RÚSSIA – Após ler onze livros seguidos de ficção, consegui encaixar uma história de biografias para dar uma respirada. Aqui, um tema que adoro desde que li Os Romanov, do premiado historiador Simon Sebag Montefiore. As czarinas, escrita pelo historiador e diplomata russo, Vladimir Fedorovski, aborda a história da Rússia não pelos nomes e feitos dos czares, mas pela atuação das várias mulheres que estavam no poder ao longo de muitas décadas. As czarinas russas têm histórias repletas de rivalidades, conspirações, traições e assassinatos e é surpreendente que tão poderosas mulheres comandassem os destinos de um país tão grandioso, machista e conservador.

12-TROCAS MACABRAS - 41º livro que li do metre Stephen King.  Li numa edição capa dura de luxo da editora Suma de Letras com 650 páginas. Estamos de volta à cidadezinha de Castle Rock, cenário  de outros livros do autor onde uma nova loja de nome “Artigos Indispensáveis”, é aberta e dirigida por um estranho homem: Leland Gaunt, que se tornou um dos maiores vilões de King. Para cada cliente, Gaunt tem algo perfeito por um preço camarada. Mas, junto com a pechincha, há um pedido estranho e o que começa com aparentes pegadinhas inocentes sai do controle e transforma a cidade em palco de mortes brutais. Na adaptação para as telas temos Ed Harris e Max von Sydow nos papéis principais.

13-CAÇANDO CARNEIROS – 6º livro que li do escritor japonês Haruki Murakami. Escrevi um texto só sobre este livro no blog. A obra tornou o autor famoso mundialmente e confesso que não gostei do livro, assim como não havia gostado da leitura anterior “Kafka à Beira-Mar”. Aqui temos uma espécie de thriller em que um protagonista insosso e sem nome recebe um telefonema estranho, conhece pessoas inesperadas, parte para uma jornada em busca de pistas sobre um carneiro desaparecido no meio rural do Japão e acaba descobrindo a si mesmo, como acontece em toda road story.

14-OS TESTAMENTOS Continuação do excelente O Conto da Aia, obra-prima distópica da canadense Margaret Atwood, de quem eu já havia lido o excelente Vulgo Grace, também adaptada para as telas. Escrito quinze anos após O Conto da Aia, ainda estamos na teocrática República de Gilead, mesmo após tentativas de insurgência. Aqui, temos as histórias de três mulheres que irão se encontrar de modo explosivo. Uma delas cresce em Gilead, filha de um Comandante e outra, no Canadá, participando de protestos contra Gilead. Os testamentos dessas duas jovens são entrelaçados pelo revelador manuscrito da mais implacável executora do regime, a odiosa Tia Lydia, cuja obra de terror já vimos no livro anterior.

15-O TELEFONE PRETO E OUTRAS HISTÓRIAS – Terceiro livro que li do ótimo Joe Hill, filho de ninguém menos do que Stephen King. Os anteriores foram A Estrada da Noite e NOS4A2 (Nosferatu), que virou série com duas temporadas. Este livro de contos foi publicado anteriormente sob o título Fantasmas do Século XX. O conto que dá título à nova edição recentemente foi adaptado sem muita inspiração para o cinema com Ethan Hawke como o vilão que sequestra e mata crianças. O The Washington Post considerou Hill um dos "maiores escritores de ficção fantástica do século XXI". Aqui temos 16 contos sendo que alguns são excepcionais, como Melhor Estreia de Terror, Fantasmas do Século XX, Os Filhos de Abraham, O Café da Manhã da Viúva e Internação Voluntária.

16-RUMO AO FAROL Segundo livro que li de Virginia Woolf após Mrs. Dalloway. A história uma família que passava as férias de verão em uma casa de praia de onde avistava o farol da ilha próxima.  Não é um livro fácil já que é narrada em fluxo de consciência e discurso indireto livre: “Na sala em ruínas, pessoas em piquenique teriam aquecido suas chaleiras; amantes teriam ali buscado abrigo, deitados nas tábuas nuas; e o pastor teria guardado sua comida em cima dos tijolos caídos, e o vagabundo teria dormido enrolado no casaco para se proteger do frio. Então teto teria caído; urzes e cicutas teriam fechados os corredores, os degraus e as janelas; teriam crescido desigual, mas luxuriosamente, sobre o entulho, até que um intruso, tendo se perdido, poderia ter dito, apenas por causa de um lírio-tocha misturado às urtigas, ou um caco de porcelana no meio das cicutas, que aqui, alguém, uma vez vivera”.

15-VÁ, COLOQUE UM VIGIA- Segundo romance de Harper Lee, ambientado duas décadas depois de sua obra-prima O Sol é Para Todos. Estamos nos anos 1950 em meio à questão da segregação racial. Para grande surpresa de todos que esperaram anos por uma segunda obra de Harper Lee, que após o sucesso do primeiro e premiado livro jamais escreveu outro por 65 anos, vemos uma surpreendente abordagem sobre os personagens que aprendemos a amar: “Se um homem diz ‘essa é a verdade’ e você acredita, mas depois descobre que é mentira, fica desapontada e toma cuidado para nunca mais ser enganada por ele. Mas quando você se decepciona com um homem que sempre se pautou pela verdade – e em cuja maneira de encarar as coisas você acreditava -, você não fica apenas ressabiada, fica sem nada.”

18-ME ENCONTRE- Terceiro livro de André Aciman e continuação de “Me Chame Pelo Seu Nome” (premiado no cinema com o Oscar de melhor roteiro adaptado). Os personagens do primeiro livro, Elio, seu pai Samuel e seu primeiro amor Oliver estão de volta às páginas. Samuel, a caminho de Roma para encontrar seu filho que se tornou um pianista renomado.  Elio se muda para Paris, onde vive mais um romance, enquanto Oliver, pai de família e professor nos EUA, planeja reencontrar o amor do passado na Europa. O livro está muito distante da beleza do primeiro e há até mesmo uma falha temporal levando-se em conta os acontecimentos narrados no segundo livro, Variações Enigma, onde Elio e Oliver se encontraram, mas que aqui o autor passa batido por esse detalhe.

19- RAVENSPUR – Quarto livro que li do britânico Conn Iggulden sobre a icônica Guerra das Rosas envolvendo os descendentes da família de reis Plantagenetas da Inglaterra (os ramos York, Lancaster e Tudor). Continuação dos volumes: Pássaro da Tempestade, Trindade e Herança de Sangue que li no ano passado. Neste quarto volume, acompanhamos o rei Eduardo IV ser expulso da Inglaterra enquanto esposa e filhos se refugiam para se escapar dos Lancaster. Eduardo retorna com um poderoso exército e recupera a coroa. Mas Henrique Tudor irá reivindicar o trono, levando a uma das batalhas mais sangrentas e resultando na morte seguida de três reis. O autor é elogiado por duas outras séries que pretendo ler: O Imperador, sobre Júlio Cesar, e O Conquistador, sobre Genghis Khan, ambos com cinco volumes cada.

20-UM SONHO FEBRIL- O primeiro livro que li de George R.R. Martin fora dos seus 7 volumes da série Game of Thrones e dos 9 volumes da série Wild Cards. Aqui uma reinvenção original das histórias de vampiros que se passa no meio do século 19 no sul escravagista dos EUA. O falido capitão de navios a vapor Abner Marsh recebe uma oferta de sociedade do rico aristocrata Joshua York para construção do belíssimo e potente Sonho do Fevre. A embarcação navega pelo rio Mississipi deixando pelo caminho uma coleção de histórias sombrias com interessantíssimas discussões sobre o que nos torna como seres humanos não tão diferentes assim dos vampiros que tratam a humanidade do mesmo modo como tratamos os animais e os negros escravizados.

21- PEQUENAS GRANDES MENTIRAS
- Primeiro livro que li da escritora Liane Moriarty e adorei, mas teria apreciado mais se já não tivesse assistido à série Big Little Lies com duas temporadas na HBO e soubesse o grande final. Muito bem escrita e focada na amizade de três mulheres fortes com filhos na mesma escola primária. Madeline (na série vivida por  Reese Witherspoon) está no segundo casamento e arrasada porque a filha do primeiro relacionamento decidiu morar com o pai que as abandonou na infância. Celeste (na série, Nicole Kidman) mãe de gêmeos e com um marido que promove frequentes abusos físico e mental, e Jane uma jovem mãe solteira que tem o filho, fruto de uma violência sexual. O livro é narrado em dois tempos alternados. Já sabemos que houve uma morte mas não quem morreu nem como até o final.