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25.11.14

GAROTA EXEMPLAR



Garota Exemplar, o mais novo filme do competente diretor norte-americano David Fincher, chegou às telas coberto de expectativas por ser uma adaptação do best seller homônimo e que, inclusive contou com a participação do seu próprio autor, Gillian Flynn, como roteirista na adaptação para as telas.

David Fincher tem atração por tipos problemáticos e anti-heróis, como se viu nos seus personagens masculinos de Seven (Kevin Spacey e Brad Pitt) e Clube da Luta (de novo Brad Pitt e Edward Norton), bem como adora mulheres fortes, como a tenente Ripley (Sigourney Weaver) de Alien 3 e a hacker punk  Lisbeth Salander (Rooney Mara) de Millenium. Sem contar o casal machbethiano (Kevin Spacey e Robin Wright) do excepcional House of Cards.

Pois Fincher está de volta com uma dessas mulheres “chave de cadeia” na pele de Rosamund Pike (a ex-Bond Girl de Die Another Day), que interpreta a insuportavelmente certinha Amy Dunne, a tal Garota Exemplar do título. Pois essa mala loura sem alça simplesmente some da história no dia do seu aniversário de casamento com o marido Nick, papel de Ben Affleck, dando início ao calvário do pobre do Nick (será?) obrigado a lidar com as suspeitas de ter matado a belíssima Amy. Ele é escolhido pela imprensa como o bode expiatório da vez — e a mídia sabe muito bem como moer em pedacinhos seus “favoritos”. Nick não tem a menor chance contra a tal “opinião pública” açulada pelas redes de tv.

Então temos a chance de acompanhar em flashbacks a linda história de amor de Nick e Amy que, pelo jeito, não é tão linda assim, já que sobram esqueletos escondidos nos armários. E eles vão saindo aos poucos.

Afinal de contas Nick matou ou não matou Amy? Por que ele entra em tantas contradições e não tem um álibi? Ele traía a devotada esposa? Ela era mesmo devotada? São perguntas demais e é isso que prende o espectador. O diretor lida, e bem, com todas essas questões, como aqueles malabaristas que tentam manter todos os pratos girando sem deixar nenhum deles parar e cair.

Não sou muito fã dessas histórias sobre a comoção das massas mobilizadas pela mídia contra ou a favor de alguém. Acho que é quase uma fórmula clichê e também não me atrai essa coisa de filme querer passar uma “mensagem” sobre como a mídia malvada usa uma pessoa. Aliás, depois de A Montanha dos Sete Abutres (1951), de Billy Wilder com Kirk Douglas como o jornalista inescrupuloso, toda representação da parcialidade da mídia é conto da carochinha.

Então, pulando a parte em que a mídia insufla o povo contra Nick, fica-se muito limitado a contar mais sobre o filme pelo risco de spoiler. A gente deve tomar cuidado com essas coisas depois daquele fã de Harry Potter, de 32 anos, de Ohio (EUA) que cometeu suicídio após, sem querer, ouvir como seria o  final do 6º filme da série.

Ainda bem que não estamos falando de Harry Potter. Garota Exemplar é um legítimo thriller, com um belíssimo twist, que não vou ser besta de contar, e que faz a gente perceber que está vendo praticamente um novo filme dentro do filme. Isso é muito revigorante, pois as pessoas adoram ser surpreendidas, mesmo que seja por uma visão sombria e praticamente subversiva da santificada instituição do matrimônio. 

Destaques: a trilha sonora de primeira, a cargo de Trent Reznor, do Nine Inch Nails, que já trabalhou com Fincher em A Rede Social (e levou o Oscar pela trilha daquele filme); a montagem perfeita, que consegue manter o clima se suspense mesmo com o uso de flashbacks; a interpretação minimalista de Ben Affleck, que cai como uma luva para o seu personagem pouco expressivo, exemplo de que o menos é mais e, sem dúvida alguma, a louraça belzebu de Rosamund Pike.

8.2.12

Os Homens que Não Amavam as Mulheres


A fantástica série de livros Milenium, que deu origem a uma produção cinematográfica sueca, exibida no Brasil como uma brisa, com pouco público e pouca divulgação, talvez por ser sueca, agora, o mesmo filme: Os Homens que não Amavam as Mulheres, na versão em inglês: “The Girl with the Dragon Tattoo”, primeiro livro da trilogia, chega com a grife de Hollywood estampada e pode ser que tenha mais sucesso por aqui. Na bagagem carrega uma história de primeira, um diretor de mão cheia como David Fincher (Seven, Clube da Luta e A Rede Social) e um ator em franca ascensão: Daniel Craig (aqui sem os seus biquinhos habituais).

O filme está indicado a quatro Oscars.A série de livros já foi traduzida para mais de 40 idiomas e é um sucesso internacional com mais de 30 milhões de livros no mundo. O que é mais do que impressionante, pois são três livros totalizando 1.874 páginas.O papel mais vibrante do filme é o da hacker punk e bissexual Lisbeth Salander e ele foi parar nas mãos da atriz novata Rooney Mara (de A Rede Social) que se sai muito bem ao ponto de ter sido indicada ao último Globo de Ouro ao lado de veteranas como Meryl Streep e Glenn Close.

Não concordo com a opinião do crítico Thales de Menezes da Folha de São Paulo que diz que David Fincher melhora o livro que já era muito bom. Na verdade, como são duas linguagens narrativas diferentes (livro e filme), pode-se dizer que um é melhor ou pior do que o outro, mas nunca que um melhora o outro. Um filme não pode melhorar um livro. Nada pode, pois o livro é uma obra acabada e assim não pode ser melhorada ou piorada, não é como uma obra que está em construção ou que caiba reformas que a melhore.

Um dos pontos altos do filme é sua abertura espetacular. Nos meus muitos anos de cinéfilo não me lembro de uma abertura (enquanto aparecem os créditos) tão impactante e bem feita. Deveria haver um prêmio para a melhor abertura. Este filme levaria com louvor. Para quem leu os três livros ou viu o primeiro filme, esta versão é boa, mas não tem muito a acrescentar. O primeiro filme não era ruim, como diz o crítico da Folha chamando-o de “rascunho comparado à versão americana”. Tem gente que só valoriza o que vem de Hollywood.

Aliás, esse mesmo crítico acerta num ponto quando diz que a versão de Fincher perde para o original quando revela preocupação estética excessiva na brutal cena do estupro. A cena, na versão sueca, era crua e violenta. A americana, de tão plástica, parece mais uma cena de pornô soft.O filme americano muda o final do original. Para quem é fã da história de Stieg Larsson, fica um gosto meio amargo de um filme que tem um clímax e opta por terminar num anticlímax, com uma cena final chocha.

Os leitores da obra se apaixonam por Lisbeth apesar de ela levar a expressão anti-social ao seu paroxismo. Todos nós embarcamos na garupa da sua moto; nos angustiamos com as perseguições a que ela é submetida, exultamos quando ela consegue se vingar dos que a sacanearam e todos nos perguntamos se tudo valeu à pena, diante do seu sofrimento.

Essa crítica está parecendo mais literária que cinematográfica, mas isto é inevitável tratando de uma adaptação de um livro que é sucesso mundial. Aliás, deixo uma provocação. Cada volume (versão econômica) custa em torno de R$ 30,00 e encanta o leitor por semanas. Um ingresso de cinema custa em torno de R$ 10,00 e garante duas horas de encantamento.

Não dá pra ficar comparando né ?