4.11.26

50 ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO

Pelo 24ª ano consecutivo, bati ponto na maratona de filmes da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Este continua sendo, como todos os anos, o ponto alto das minhas férias sempre entre 15 e 30 de outubro.

Todos os anos compro um passaporte para 40 filmes, o que é vantajoso, já que, por R$ 440,00, pago o equivalente a R$ 11,00 por sessão — menos do que o valor da meia-entrada durante a semana. É possível ainda reservar o filme com 5 dias de antecedência e evitar risco de ingressos esgotados, o que acontece muito. Há também as opções de passaportes para 20 filmes (R$ 270,00), além de outras de pacotes.

A correria é grande, e muitas vezes o cansaço bate, impedindo que eu veja todos os filmes desejados. Este ano foram exibidos 394 filmes de mais de 90 países, em 15 dias (mais os 5 dias da repescagem) em 57 salas e espaços culturais espalhados pela cidade com muitas produções brasileiras inéditas, curtas, animações, filmes restaurados e dezenas de obras premiadas em festivais como Cannes, Berlim, Veneza, San Sebastian, Tribeca, Sundance, entre outros.


Vi 29 filmes no total. Houve inúmeros filmes a que eu queria assistir, mas é impossível ver tudo o que se deseja. No ano passado, assisti a 30 (perdi os outros por pura exaustão). Assim, acabei pagando R$ 15,17 por filme — uma pechincha. Aqui está uma breve avaliação dos 29 filmes a que assisti este ano, ordenados por preferência. Coincidentemente, tanto o melhor quanto o pior vi filme que vi são brasileiros.

 



VICENTINA PEDE DESCULPAS - Filme Brasileiro – Quando um ônibus lotado cai repentinamente de um viaduto, uma cena excelente e muito surpreendente, quase todos os passageiros morrem, incluindo Wesley, o motorista. A tragédia domina os noticiários em todo o país. Após a análise das imagens, começam a circular especulações de que o motorista poderia ter agido intencionalmente, num aparente suicídio. Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos e mãe de Wesley, fica devastada e decide procurar as famílias das vítimas e pedir desculpas. O caminho à sua frente se mostra difícil, e as respostas que Vicentina tanto busca nem sempre são as que ela encontra. Todos os atores estão excelentes, a direção é eficiente e muito precisa. Destaques para a atriz principal, Rejane Farias, e para Maíra Azevedo (a jornalista baiana Tia Má). O diretor Gabriel Martins teve seu filme “Marte Um” representando o Brasil para uma vaga no Oscar de 2023.


A LONGA ESTRADA - Produção dos EUA - A caminhoneira veterana CJ está com mais de 70 anos e é uma das últimas motoristas autônomas em um setor dominado por homens. Todo esse tempo na estrada a deixou com uma vida condicionada pelo movimento, pela solidão e pela distância: ela raramente permanece em um lugar por muito tempo e costuma dormir no próprio caminhão. Uma carta da comissão de liberdade condicional, que ela há muito tempo se recusava a abrir a obriga a voltar a enfrentar o passado que ela tanto buscava fugir. A excelente atriz principal, Margo Martindale, também é a produtora do filme. Ela é destaque das séries The Americans, The Good Wife, The Good Fight e Paris, Te Amo.

O ÚLTIMO BATEDOR DE CARTEIRAS - Produção dos EUA- Harry, o excelente ator John Turturro, é um veterano batedor de carteiras que vê seus rendimentos diminuírem cada vez mais em uma Nova York em que carteiras cheias de dinheiro foram substituídas por cartões fáceis de cancelar e Harry precisa cuidar da esposa com deficiência. Quando ele rouba um valioso pen drive, inicia uma corrida contra o tempo para devolver o objeto, ou terá de enfrentar a fúria de uma vingativa família de criminosos. A cena em que Turturro dança jazz no quarto para a esposa doente, além de suave e belíssima, é uma aula de interpretação.


PONDEROSA – Filme dos EUA. O jovem Zeke se vê forçado a lidar com a insistência de George, um empresário que nutre a bizarra obsessão de assumir o papel de seu pai e se dispõe a apadrinhar o garoto e mostrar como o trabalho duro poderia levá-lo a um outro patamar. Mas o que George realmente tenta fazer é impor a sua própria visão ideológica, mas Zeke não cai nessa, assumindo uma postura implacável diante dessa situação, e George, sem receber a validação que espera do rapaz, entra em colapso e fica cada vez mais transtornado, tomado pelo medo de fracassar diante de seus enigmáticos chefes caso não consiga adotar um filho. Ótima maneira do diretor expor as obsessões sexuais de uma geração de americanos capitalistas que não sabem lidar com suas pulsões e taras sexuais.

HA-CHAN: DE VOLTA À DANÇA ! – Filme japonês. Haru e Luis adoram competir na cena de dança de salão de Tóquio, mas, após uma tragédia, Haru se isola. Quando as amigas a convencem a voltar ao estúdio, ela acaba se apaixonando pelo novo instrutor. Com a atração cada vez mais evidente, Haru precisa enfrentar os desafios que surgem a partir desse sentimento. Vencedor do prêmio de melhor direção do Festival de Sundance. As cenas de dança latina (tango, salsa, rumba, chá-chá-chá, samba e passo doble) são deliciosas e o final com uma dança num vagão de trem lembra algumas das cenas de dança do cinema indiano.

AINDA TIJUANA - Filme do México - Em Tijuana, um jovem queer que deixou a Rússia para escapar do recrutamento para a guerra na Ucrânia e um homem gay de meia-idade que enfrenta o machismo do norte do México se conhecem por meio de um aplicativo de encontros gays, onde se escondem atrás de alter egos digitais. Quando a relação passa do virtual para o real, os dois precisam encarar as feridas e os traumas causados por seus exílios. Gostei muito da forma como o filme retrata essa dupla em momentos opostos da vida, com expectativas igualmente opostas e como a cidade de Tijuana é transformada em um referencial de passagem para alguns ou de fim de estrada para outros.

O JULGAMENTO DE HEIN - Filme da Alemanha- Após catorze anos, Hein retorna ao lugar onde nasceu, um vilarejo em uma ilha distante, mas logo percebe que aquela comunidade fechada já não o reconhece. Desconfiados de que ele seja um impostor, os moradores decidem submetê-lo a um julgamento para descobrir sua verdadeira identidade. Vencedor do Prêmio do Júri do Teddy Award do Festival de Berlim e do Prêmio Brada de Melhor Direção de Arte da Mostra. Gostei muito do filme e da maneira como a direção construiu um universo próprio.

AOS TREZE EM GAZA- Filme da Palestina. Tristíssimo.  Em Gaza, 2025, num campo de desabrigados, a adolescente Raghad, de treze anos, e seu pai enfrentam o deslocamento forçado após um bombardeio matar sua mãe e suas irmãs. Enquanto a garota lida com a angústia da primeira menstruação em um acampamento superlotado, sem privacidade e nem condições adequadas de higiene, o pai recorre ao mercado negro para garantir a sobrevivência. O filme traça um retrato íntimo das marcas invisíveis que a guerra deixa na dignidade pessoal, nos laços sociais e na inocência infantil. Durante toda a narrativa, ouve-se o som incômodo de drones, o que foi uma escolha acertada da direção para criar aquela atmosfera. O drama de um milhão de pessoas sofrendo é terrível, mas paradoxalmente mostrar tão de perto o drama íntimo de um pai e uma filha naquele mesmo mar de desabrigados torna a tragédia ainda mais concreta e asfixiante. 

HIJAMAT - Da Alemanha - Murad vive com a esposa e o filho em Berlim, onde trabalha no restaurante do pai. A família religiosa entra em crise quando uma foto revela o relacionamento secreto de Kerem, irmão mais jovem de Murad, com outro homem se espalha pela comunidade turca. Depois de sofrer uma agressão, o jovem se vê sob a influência de um líder religioso, que convence a família de que sua sexualidade é um sinal de possessão demoníaca. Conforme a saúde mental de Kerem se deteriora, Murad se torna uma das poucas pessoas dispostas a permanecer ao seu lado. Tentar salvar o irmão o coloca em conflito com a família e o obriga a confrontar a própria identidade reprimida. O Diretor Nader Saeivar, iraniano venceu melhor roteiro no Festival de Cannes e a Palma de Ouro em Cannes, além de uma indicação ao Oscar de Melhor Roteiro Original. Foi vencedor do prêmio do público da seção Horizontes Extra do Festival de Veneza.

LONDRES - Filme austríaco - Bobby tem mais de 80 anos e está sempre dirigindo pela rodovia que liga Viena a Salzburgo para visitar um amigo em coma num hospital. Ele oferece carona para economizar com a gasolina e aproveita para conversar com seus passageiros: o soldado que questiona a luta, o funcionário do supermercado em treinamento, o acadêmico que estuda a história dessa rodovia, a mulher queer prestes a se casar; caminhos, sotaques e histórias diferentes. Bobby escuta, mas também fala sobre si mesmo, sobre sua juventude, sobre estar envelhecendo. Um sutil retrato político da Europa atual por meio de seus espaços de transição e daqueles que passam por eles. Mesmo nestes tempos estranhos, o anonimato e a gentileza ainda podem andar juntos. 

A VAGA DE ESTACIONAMENTO - Filme do Canadá- Brigitte e Jonathan são convidados para um jantar. Ao chegarem, começam a discutir com um desconhecido por causa de uma vaga de estacionamento. O que deveria ser um desentendimento banal logo se transforma em um confronto, alimentado pela insistência perturbadora desse estranho e pela recusa de Jonathan em ceder a vaga. Quando o casal finalmente deixa a discussão de lado e se junta aos anfitriões para o jantar, o episódio parece resolvido. No entanto, algo estranho paira sobre eles: um mal-estar que se esconde sob a aparente descontração e, aos poucos, contamina as conversas. O encontro com esse desconhecido ganha uma proporção inesperada, ofuscando a noite e expondo, silenciosamente, as fissuras no relacionamento do casal. Gostei bastante do filme e mais ainda do mistério e do fato de o filme não oferecer todas as respostas. Há uma tensão crescente que o filme domina muito bem e o clima só cresce até um desfecho dramático.

AMOR POSSÍVEL - Da Coreia do Sul. O filme acompanha a complexa relação entre dois casais que seguem caminhos diferentes e lidam com desejos ocultos. Mi-ok leva uma vida pacata com o marido desempregado, Ho-seok, e o filho pequeno, Cheol, até conhecer Ye-ji, uma documentarista que registra a vida de trabalhadores demitidos, e o marido dela, Sang-woo. O padrão de vida abastado do casal contrasta radicalmente com o de Mi-ok. Quando ela aceita ser filmada, aprofunda sua convivência com Ye-ji e passa a sentir uma atração incômoda pelo enigmático Sang-woo. Conforme o convívio entre os casais se intensifica, surgem tensões que desestruturam suas vidas. Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza.


COTTON FEVER - Produção dos EUA - Um mosaico de personagens às voltas com as duras realidades do vício. Em recuperação, James e Dina esperam o primeiro filho e tentam construir uma vida estável juntos. Do outro lado da cidade, Sam e Manny, duas jovens apaixonadas e dependentes químicos, sobrevivem graças aos pagamentos semanais de um antigo acordo judicial. Akil, um dedicado assistente social, passa os dias ajudando dependentes e pessoas em situação de rua. Apesar desse suporte a tantas vidas, ele não consegue se aproximar da pessoa que mais importa: seu irmão, Sean. Conforme suas histórias se entrelaçam, os personagens se deparam com difíceis revelações, criam vínculos inesperados e buscam alguma redenção. Vencedor dos prêmios de melhor longa de ficção dos EUA e de melhor fotografia no Festival de Tribeca. 


O POSTO – Filme do Iêmen em torno de Layal, que administra um posto de gasolina só para mulheres no Iêmen: um refúgio em um país devastado pela guerra. Ali, as regras são simples: nada de homens, de armas ou de política. Quando o irmão mais novo de Layal corre o risco de ser recrutado, ela se reaproxima da irmã, de quem está afastada, para salvar a única vida que ainda está ao seu alcance.


FILIPIÑANA - Coprodução de Singapura, Reino Unido, Filipinas, França, Países Baixos - Em meio a um calor sufocante, Isabel, de 17 anos, trabalha em um luxuoso clube das Filipinas. Ela percorre esses campos imaculados conhecendo melhor a ostentação do lugar, enquanto os sócios se envolvem em uma complexa dinâmica com os funcionários do local. Mas há algo apodrecendo sob os gramados impecáveis desse resort de elite. Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Sundance.


DOWNTOWN - Produção dos Países Baixos - Lennart e Ronnie vivem no centro da agitação da Downtown, uma boate hedonista em plena Amsterdã dos anos 1980. Ronnie é o DJ e Lennart atrai o olhar de muitos homens, mas só um realmente chama a sua atenção: Bas, um jovem artista de 20 anos. Conforme os três começam a planejar o futuro, cada vez mais a Downtown vê seus frequentadores desaparecerem com a chegada da AIDS que dizima os gays. Quando eles se reencontram, anos depois, já velhos e sobreviventes também da COVID, o vínculo que os une, entranhado em memórias de amor e de excessos, persiste enquanto trazem à tona questões do passado e revisitam as escolhas que mudaram suas vidas para sempre.


NOSOTROS - Coprodução Guatemala e México - Romero deixa sua esposa e filho nas Terras Altas da Guatemala e se muda para a cidade grande em busca de oportunidades e para trabalhar como segurança. Lá, conhece Nubia, uma mulher trans, em quem encontra refúgio, ternura e desejo. Com o acirramento das tensões entre os guardas, a violência passa a dominar suas vidas, trazendo à tona desejos ocultos, medos inconfessáveis e verdades que já não podem mais permanecer enterradas.


CINCO ANOS, QUATRO MESES - Uma coprodução da Colômbia e EUA - Martha é uma mulher de 45 anos que perdeu o rastro do filho durante o conflito armado colombiano. Quando recebe a notícia de que nenhum vestígio ósseo correspondente foi encontrado na última exumação da qual participou, ela vê esgotadas as vias institucionais às quais pode recorrer. Ela ouve um boato que diz que em um vilarejo distante nas planícies, é possível pedir um favor a um morto. Ela decide seguir esse rumo. Filme premiado com o Prêmio do Júri da Mostra como Melhor Ficção.



CHERCHEZ LA FEMME - Filme de Portugal – Em Paris, 1895. Lúcio Vaz, dramaturgo português, conhece Ricardo de Loureiro, poeta, rico e magnético. Os dois se tornam inseparáveis num clima homoerótico sutil. Ricardo subitamente retorna a Lisboa e quando Lúcio também volta, encontra Ricardo já casado com Marta, uma mulher bela e enigmática, que Lúcio passa a desejar com uma intensidade que o desorienta. Adaptação de “A Confissão de Lúcio”, romance de Mário de Sá-Carneiro. Gostei do clima do filme e mesmo apresentando um “romance gay” trágico, achei bem estruturado com seu clima místico e sensual.


EMERGENCY EXIT - Filme espanhol- Uma atriz que revisita a própria carreira, uma antropóloga desorientada e duas divas lendárias viajam com outros desconhecidos por paisagens irreais a bordo de um veículo misterioso do qual não conseguem escapar. Durante o trajeto, fabulam sobre suas identidades enquanto o Desejo, Eros, ganha forma e as seduz. Uma jornada liminar entre a vida e a morte, entre o sonho e a realidade mágica, em que a experiência fenomenológica não se limita a uma realidade particular. Um road movie no estilo de Cortázar. Chamou-me a atenção a presença da atriz Marisa Paredes, musa de Pedro Almodóvar e há uma cena em que ela manipula fotos em que aparecem Caetano Veloso e Gilberto Gil com Almodóvar. Também me chamou a atenção o jovem ator e modelo brasileiro Jhona Burjack, num papel sedutor, sempre em cena com um corpo belíssimo, usando apenas uma cueca branca e um casaco de peles.


A MARGEM DO RIO - Filme brasileiro. Izaquiel, um auxiliar de serviços gerais, se arrisca em encontros sexuais secretos e noturnos nos manguezais do Recife, onde conhece Jeremias, um pescador misterioso. Quando uma ameaça violenta invade o lugar, Jeremias conduz Izaquiel às profundezas do coração do mangue, onde realidade e mito se entrelaçam. Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno. O filme trata da relação da igreja evangélica com a política, a milicia e a homofobia e não se furta a tratar com crueza a realidade dos grupos gays e trans, mostra a importância da convivência e a amizade entre os integrantes dessa comunidade desprotegida. Porém acho que o filme poderia ter focada um pouco menos apenas no aspecto da sexualidade e das festas.


ROCHAS VERMELHAS - Coprodução Portugal, França, Itália, Espanha, Catar- Na Riviera Francesa, dois grupos de crianças disputam um perigoso jogo de saltar de penhascos. Em meio à luminosa paisagem do Mediterrâneo, Géo, de apenas cinco anos, descobre ao longo de um verão um universo em que amizade e rivalidade se confundem, ao mesmo tempo em que surgem os primeiros sentimentos amorosos. Dirigido pelo francês Bruno Dumont, queridinho do festival e de quem eu já havia assistido a outro filme em uma mostra anterior Seu primeiro longa-metragem, “A Vida de Jesus” foi vencedor do Prêmio do Júri na 21ª Mostra e de uma menção especial no Festival de Cannes. Dele, a Mostra ainda exibiu “A Humanidade” e “Flandres” ambos consagrados com o Grande Prêmio do Júri em Cannes.

 


O ÚLTIMO DIA – Produção dos EUA- Com Alicia Vikander e Wagner Moura no elenco. Uma releitura contemporânea de “Mrs. Dalloway”, de Virginia Woolf, o filme acompanha um dia na vida de duas mulheres em busca de si mesmas: Julia, uma escritora que se prepara para oferecer uma elaborada Festa 4 de Julho; e Taylor, uma jovem mãe de três filhos que luta para manter o equilíbrio. Não gostei tanto desse filme e me interessei pela história porque sou fã de "Mrs. Dalloway” e de Virginia Woolf além da curiosidade pelo papel de Wagner Moura que, como sempre, está brilhante, mesmo em um papel pequeno.

LONDON - Filme brasileiro que ganhou o Prêmio Prisma Queer de Melhor Filme Brasileiro da Mostra que retrata um jovem queer com deficiência que trabalha com performances eróticas em uma casa de fetiches e tem a chance de descobrir informações sobre sua deficiência por meio de um exame médico. Com os resultados em mãos, London vai ter que decidir se sua vida será guiada por um diagnóstico ou se vai seguir seus sonhos. Vencedor do prêmio Queer Lion no Festival de Veneza. O ator principal e um dos diretores, Victor Di Marco, é PCD, mas confesso que esperava mais do filme. Fico feliz que haja espaço para inclusão de pessoas com deficiência tanto na atuação quanto na direção e o elenco está muito bem, porém uma das deficiências do personagem/ator está exatamente na articulação da fala e em muitos momentos têm-se dificuldade de entender o que ele fala (legendas poderiam ajudar).   Fico feliz também em ver o tema da liberdade da sexualidade tão abertamente tratadas.

PRIMETIME - Produção dos EUA. Com Robert Pattinson no papel principal. Em 2006, o jornalista Chris Hansen se prepara para fazer história na televisão com "To Catch a Predator", um programa polêmico que usa operações secretas e câmeras escondidas para expor, ao vivo, predadores sexuais pegos em flagrante. À medida que a atração se torna um fenômeno nacional e seu apresentador vira um ídolo do público, a linha que separa informação, justiça e espetáculo se torna cada vez mais tênue, e a mistura entre jornalismo, entretenimento e voyeurismo televisivo fica insustentável. Esperava um filme mais coeso, mas achei excessivamente estilizado, com cores saturadas para reproduzir a tv de 20 anos atrás, com muitos maneirismos. Robert Pattinson é um ator irregular e aqui ele não está tão bem como em outros filmes anteriores.


CESAREAN WEEKEND - Filme do Irã - Milad e Armin vivem uma relação de intimidade profunda, porém indefinida, moldada por anos de dependência emocional. Durante um fim de semana em uma casa à beira do Mar Cáspio, uma revelação inesperada quebra essa frágil dinâmica: Bita conta a Milad que está grávida dele. Na manhã seguinte, os pais dos dois reaparecem de surpresa após muito tempo de ausência. A chegada deles traz à tona questões mal resolvidas e empurra todos para um tenso confronto de gerações. Ao longo do fim de semana, as delicadas fronteiras entre desejo, responsabilidade e liberdade começam a ruir. Fui assistir porque tenho atração por todas as produções do Irã, mas esse filme não me agradou em absolutamente nada.

VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR QUEM MORREU – Produção da Irlanda - O Natal reúne a família Cosgrove para uma confraternização de fim de ano. O pai está se aposentando da polícia, e quando conversam sobre um assalto ocorrido na região, eles concordam que conseguiriam executá-lo muito melhor. Assim, ao surgir uma oportunidade, decidem provar essa teoria e realizar o próprio roubo. O que começa como uma conversa inofensiva de Natal logo se transforma em uma caótica empreitada criminosa, forçando essa família disfuncional a trabalhar em equipe antes que tudo dê errado de maneira desastrosa. Não gostei do filme, com personagens construídos com finalidade escancaradamente cômica e edição talvez muito frenética. Me incomodou a forma como a plateia ria de modo forçado reagindo como uma claque às piadas bobas. Vai fazer sucesso.

COMO SE DIVORCIAR DURANTE A GUERRA – Filme da Lituânia. Marija é uma executiva de sucesso que escolhe o pior momento possível para expor ao marido seu desejo de divórcio: a véspera da invasão russa à Ucrânia. Agora, o casal precisa lidar com a separação em meio a uma crise de refugiados e às suas próprias crises de meia-idade. Com a separação, há uma inversão de expectativas e a vida ao lado do monótono, mas estável marido, pode não ser tão ruim assim. Vencedor do prêmio de melhor direção na competição World Cinema Dramatic do Festival de Sundance. 

A PRISIONEIRA - Filme brasileiro Em meados do século 19, no interior do estado de São Paulo. Maria vive com o pai no meio rural de onde nunca saiu. Um parente rico fazendeiro de café obriga-a a se casar com seu filho único em busca de um neto herdeiro. Ele a faz prisioneira enquanto seu marido, um hedonista, gasta o que resta da fortuna em viagens a Paris sem ela. Vigiada por um escravizado, Maria o seduz na busca de sua liberdade. Inspirado na novela “Lady Macbeth do Distrito de Mitzenski”, do escritor russo Nikolai Leskov. Fui assistir ao filme porque sou fã da obra mas fiquei decepcionado com a atuação de parte do elenco, principalmente a protagonista Arianne Botelho, atriz de novelas da Globo, e que tem uma interpretação amadora e estereotipada. Cada fala dela é irritante, tentando imitar o modo de falar e de andar de uma moça de origem pobre, mas só consegue ser caricata. A transformação da personalidade de moça simples para uma assassina é mal desenvolvido. Os atores Dan Stulbach, Leopoldo Pacheco, Mateus Carrieri e Bianca Rinaldi estão bem, mas o ator Fernando Alves Pinto, como sempre, faz uma interpretação idêntica a todos os seus personagens no cinema: canastrão. Outro péssimo ator é o escravizado Lucas da Purificação com um sotaque que se quisesse soar ridículo ainda assim faltaria muito para chegar lá.

No comments: